Como funciona a mente de um tímido?

Por Aguilar Pinheiro*
Comportamento inibido, arredio e dificuldade de comunicaçao são traços comuns nos tímidos. Eles até que se esforçam para vencer isso, mas normalmente intensificam ainda mais o problema. Conhecer alguém pode parecer a morte e alguns nem gostam do próprio aniversário, devido ao mal estar emocional e físico.
Como o cérebro cria a timidez?
Inibição, introversão ou simplesmente timidez ocorre em situações sociais nas quais a pessoa afetada por essa limitação comportamental direciona sua atenção para dentro de si, normalmente através de diálogos internos, e pressupõe ser capaz de saber ou prever o que o interlocutor pensa sobre o comportamento do tímido. Esses diálogos normalmente são focados na impossibilidade e se baseiam no Se negativo. Se eu disser isso ele me achará muito infantil, medíocre, etc. É uma autoimagem depreciativa.
Muita gente pensa que a timidez é uma herança genética, outros dizem ser um aprendizado social. Quem tem razão?
Não existe uma maneira padrão para se sentir timidez. Muita gente diz que fica envergonhada, outros que sente a face queimar, outros percebem as mãos geladas, etc. O certo é que há consenso sobre algumas manifestações comuns descritas pelos tímidos: ansiedade, taquicardia, branco de memória, confusão mental, tensão muscular, batimento cardíaco acelerado fadiga no estômago e até desarranjos intestinais.
A confusão mental está relacionada à parte denominada como cognitiva, à ansiedade e afeta o tímido através de sua inter-comunicação, ou seja, as suas conversas internas que lhe dizem coisas como: ninguém me notará, eu não consigo agradar mesmo, e se eu der mais uma fora e virar piada na festa? O paradoxo disso é que enquanto o tímido se aprofunda em seu próprio modelo mental negativo, acerca de si, o mundo lá fora acontece, muitas vezes como oportunidades que ele gostaria de aproveitar.
Alguns estudos apontam que a timidez está relacionada à ativação da amígdala em crianças e que estas ativações em situações comuns, como pedir para ir ao banheiro ou se pode comer mais um biscoito servido pelo anfitrião no café, fazem com que os circuitos neurais envolvidos naquele momento de extrema falta de traquejo social da criança permaneçam com ela para toda a vida.
Por outro lado, o cérebro também possui áreas como o núcleo accumbens – vizinho da amígdala dentro do sistema límbico, a área do cérebro responsável pelas emoções -, que gerencia o desejo pelo biscoito, por exemplo, e pode levar a pessoa a comer além do normal. Isso, contudo, não a transforma numa comedora compulsiva pelo resto da vida. Ou seja, não existe uma explicação conclusiva sobre o assunto, e certamente não haverá, pois a timidez envolve questões culturais, familiares e contextuais da vida das pessoas, como presenciar discussões, acusações e serem castigadas por exercerem a curiosidade, comum à maioria das crianças. No entanto, há pessoas tímidas enquanto adolescentes e adultas, mas que quando crianças eram bastante extrovertidas e sociáveis. Isso coloca a questão da genética em xeque.
A amígdala é parte do processamento da timidez, por estar diretamente ligada à aversão, ela participa dos processos que afastam as pessoas daquilo que pode ser danoso a elas. O Se da timidez faz isso, evita que a pessoa se exponha. O hipotálamo é uma estrutura importantíssima na regulação do organismo em relação às variações externas, como a temperatura corporal, a fome, a sede e a liberação de hormônios, incluindo os sistema endócrino. Esta região ativa a produção de substâncias envolvidas nas funções orgânicas e físicas como a dor e mesmo emocionais, como os pensamentos de medo ou de tristeza.
A timidez não é uma disfunção neurológica. Pelo menos na maioria dos casos. Portanto, seus mecanismos disparadores estão na mente da pessoa, derivam de sua experiência e dos aprendizados associados ao comportamento limitante. O cérebro age e reage em função desse processo empírico. Amígdala, hipotálamo e hipófise não se auto ativam sozinhos.
Então, se a amígdala aprendeu a reagir de forma errada ao que gera o comportamento de aversão social, a timidez, certamente ela pode ser treinada para reinterpretar os estímulos externos e acionar toda a engenharia cerebral para criar um novo comportamento adaptativo ao contexto no qual a pessoa deseja, precisa ou quer se inserir.
aguilar-pinheiro
 * Consultor de empresas e coach, especialista em mudanças comportamentais, trainer em Programação Neurolinguística – PNL, certificado pelo IANLP (EUA), é Diretor de Aprendizagem da Asbrapa. Contato: http://www.linkedin.com/profile/view?id=101636632
 
 

1 Comentário

  1. José 11 de novembro de 2013 Resposta

    nossa não fazia ideia que eraa assim

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