{"id":9964,"date":"2016-03-15T09:33:10","date_gmt":"2016-03-15T12:33:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=9964"},"modified":"2018-08-27T09:50:59","modified_gmt":"2018-08-27T12:50:59","slug":"sonhos-de-crianca-movem-negocios-de-gente-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/sonhos-de-crianca-movem-negocios-de-gente-grande\/","title":{"rendered":"Sonhos de crian\u00e7a movem neg\u00f3cios de gente grande"},"content":{"rendered":"<p>Rafael Biasotto e Darino Moreira Ten\u00f3rio, Empreendedores Endeavor e s\u00f3cios da Uatt?, contam como a vida juntou dois jovens que sonharam alto e travaram duras batalhas para construir hist\u00f3rias vencedoras.<br \/>\nMesmo nascendo em uma fam\u00edlia de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, ele sempre teve gosto por criar: tanto nas artes, quanto nos neg\u00f3cios. Com 12 anos, foi aprender serigrafia. Fazia as telas que viravam estampas e a m\u00e3e costurava as camisetas, que ele vendia para os amigos. Rafael Biasotto era muito novo quando vivenciou suas primeiras experi\u00eancias empreendedoras, mas elas j\u00e1 eram sua principal fonte de renda.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Rafael-Biasotto-e-Darino-Ten\u00f3rio-uatt-300x182.jpg\" alt=\"Rafael-Biasotto-e-Darino-Ten\u00f3rio-uatt\" width=\"300\" height=\"182\" class=\"alignright size-medium wp-image-9965\" \/><br \/>\nAntes dos 18, tinha ideias de montar m\u00e1quinas de vendas autom\u00e1ticas e kombis de comida \u2013 ou, traduzidos para os nomes da moda, \u201cvending machines\u201d e \u201cfood trucks\u201d. Acabou abrindo um bar de praia em Florian\u00f3polis, sua cidade natal.<br \/>\nQuando entrou na Faculdade de Administra\u00e7\u00e3o, na Universidade Federal de Santa Catarina, procurou ganhar mais experi\u00eancia na \u00e1rea. Trabalhou no varejo com presentes, papelaria, decora\u00e7\u00e3o\u2026 As iniciativas diversificadas foram a base para o futuro empreendedor e serviram como um verdadeiro campo experimental.<br \/>\nImagina\u00e7\u00e3o e criatividade n\u00e3o faltavam para o menino que, al\u00e9m das aventuras de mercado, tamb\u00e9m sonhava em se aventurar pela Europa de bicicleta. Rafael juntou todo o dinheiro que tinha guardado e foi, para estudar ingl\u00eas, italiano e buscar novas inspira\u00e7\u00f5es. Voltou com a maior delas: a Uatt?, uma loja de presentes criativos \u2013 mas s\u00f3 sobravam R$8 mil no bolso. Era pouco.<br \/>\n<strong>A prova\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nRafael acabou pedindo dinheiro para a av\u00f3. Com um total de R$18mil, come\u00e7ou a empresa na sala da casa da fam\u00edlia. Contou a ideia para o pai e do empr\u00e9stimo que tinha pedido.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cISSO NUNCA VAI PRA FRENTE, VOC\u00ca DEVERIA SE ENVERGONHAR DE UTILIZAR DINHEIRO DE SUA AV\u00d3\u201d, FOI A RESPOSTA.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na \u00e9poca, Rafael j\u00e1 tinha 26 anos e sua carreira seguia uma linha pouco reta. \u201cEu n\u00e3o podia fracassar de jeito nenhum, tinha que provar para mim mesmo e, por consequ\u00eancia, ao meu pai, que daria certo\u201d.<br \/>\nPor outro lado, outros membros da fam\u00edlia o apoiavam. Al\u00e9m da av\u00f3, a m\u00e3e tamb\u00e9m era uma figura que, mesmo tendo medo por ele, apoiava as decis\u00f5es pouco convencionais do garoto. Seu primeiro e grande mentor, no entanto, foi seu tio: \u201cEle acabou fazendo o papel de direcionador, incentivando a meter a cara e dizendo \u2018fa\u00e7a, porque vale a pena\u2019\u201d. Rafael defende que todo jovem precisa de um mentor ou algu\u00e9m onde se escorar, um div\u00e3 para correr, algu\u00e9m com quem compartilhar e trocar ideias.<br \/>\nSempre com um pensamento empreendedor, Rafael lembra que a paix\u00e3o pelo varejo vem desde o tempo em que atuou na \u00e1rea promocional e precisou se virar em vendas. Embora hoje nem pare\u00e7a, ele era um moleque bem t\u00edmido. Isso representava um grande desafio de supera\u00e7\u00e3o para preparar, compartilhar e comercializar seus produtos.<br \/>\nNo come\u00e7o, como n\u00e3o \u00e9 raro, foi tudo mais dif\u00edcil: com poucos recursos e pouca experi\u00eancia, Rafael teve que assumir a postura plural de amarrar todas as pontas de maneira sist\u00eamica, pensando desde o portf\u00f3lio de produtos at\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e as vendas: \u201cVoc\u00ea acaba tendo que dar tiros mais certos. Mas eu j\u00e1 tinha essa caracter\u00edstica rompedora, do empreendedor que n\u00e3o aceita n\u00e3o como resposta, busca oportunidades, est\u00e1 sempre atento, \u00e9 observador com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas id\u00e9ias aplicadas ao mundo, \u00e0 vida, ao mercado\u201d.<br \/>\n<strong>Em outro canto do pa\u00eds (ou do mundo)\u2026<\/strong><br \/>\nEnquanto Rafael lan\u00e7ava as bases de sua nova empresa em Florian\u00f3polis, um jovem mineiro desenvolvia suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas rompedoras e tamb\u00e9m sonhava com v\u00f4os mais altos. Era seu futuro s\u00f3cio, Darino Ten\u00f3rio.<br \/>\nTendo crescido em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, com 8 anos ele j\u00e1 tinha no\u00e7\u00e3o de finan\u00e7as por causa das contas de casa e sabia tudo de overnight, culpa daqueles tempos de infla\u00e7\u00e3o desgovernada. Darino \u00e9 filho de um pesquisador-professor funcion\u00e1rio p\u00fablico em Minas Gerais e de uma arquiteta, mas tamb\u00e9m conta com orgulho dos antepassados empreendedores: o bisav\u00f4 veio de Portugal para o Brasil sem nada, criou a f\u00e1brica de cigarros Lafayette em Recife, nos anos 20, e era um talento do marketing. O av\u00f4 paterno tinha com\u00e9rcios no interior do estado, mas morreu muito cedo. De ambos os lados, a gera\u00e7\u00e3o seguinte n\u00e3o conseguiu manter os neg\u00f3cios e seguiram carreiras que priorizaram o melhor conhecimento e maior estabilidade.<br \/>\nTentando seguir a tend\u00eancia dos anos 90, o primeiro impulso de Darino ao ingressar na universidade foi cursar computa\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cporque o Bill Gates era o cara mais importante do mundo e eu o admirava\u201d, ele explica \u2013 mas desanimado com os algoritmos, mudou o rumo e entrou na Faculdade de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalhou do in\u00edcio ao fim do curso e chegou a ter dois empregos simult\u00e2neos enquanto universit\u00e1rio, para juntar uma grana e poder fazer interc\u00e2mbio nos EUA.<br \/>\nTeve que suar muito \u2013 e suar literalmente \u2013 quando andava a p\u00e9 para economizar at\u00e9 o passe do \u00f4nibus, em prol do sonho de ir estudar ingl\u00eas e trabalhar nas terras do Tio Sam. Eventualmente, economizou o bastante. Atuou primeiro como operador de telef\u00e9rico numa esta\u00e7\u00e3o de esqui, depois como vendedor em loja de equipamentos de esportes de inverno. Um brasileiro vendendo roupas e materiais de neve\u2026<br \/>\nFoi e, claro, voltou mais experiente. Nessa volta, contratado como trainee na Falconi Consultores de Resultados, construiu uma carreira de sucesso. Atuando em empresas p\u00fablicas e privadas, nacionais e internacionais, Darino chegou a ser s\u00f3cio-consultor da Falconi, o que o permitiu observar de perto e conviver com grandes nomes do empresariado, com o professor Falconi, mas tamb\u00e9m vivenciar novas experi\u00eancias no universo das startups e dos novos neg\u00f3cios.<br \/>\n<strong>Conhecendo o outro lado da mesa<\/strong><br \/>\nEm 2009, Darino foi alocado para dar um treinamento a uma organiza\u00e7\u00e3o de apoio a empreendedores \u2013 algo normal, at\u00e9 a\u00ed, para um consultor. S\u00f3 que, passando a escutar mais sobre a Endeavor, a identifica\u00e7\u00e3o com a causa foi crescendo:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cERA O MOMENTO DE VER OS VISION\u00c1RIOS, OS NEG\u00d3CIOS QUE ELES TINHAM, ENQUANTO NO DIA A DIA DA CONSULTORIA FUI RESGATANDO ESSA VONTADE DE IR PARA O OUTRO LADO, DE ARRISCAR\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Como a grande aposta de seus pais era investir no conhecimento, Darino sempre foi muito esfor\u00e7ado nos estudos e cursou v\u00e1rias especializa\u00e7\u00f5es. Por isso, enquanto ele compartilhava conhecimento como mentor Endeavor, tamb\u00e9m fazia quest\u00e3o de continuar aprendendo. Em paralelo, o gene adormecido dos av\u00f3s empreendedores aguardava o melhor momento para se manifestar.<br \/>\nExemplo disso foi quando Darino descobriu um Curso de Fus\u00f5es e Aquisi\u00e7\u00f5es na Wharton Business School. Logo depois recebeu o apoio da Falconi para fazer um curso de Valuation na Universidade de Nova York. Decidiu que completaria as duas especializa\u00e7\u00f5es, uma seguida da outra.<br \/>\nCom tudo pago e planejado, a vida reservou uma das suas mais desagrad\u00e1veis surpresas: Darino descobriu que o pai estava com c\u00e2ncer. Foram tempos extremamente duros para toda a fam\u00edlia, numa luta que durou seis meses. Quinze dias depois de perder o pai, ainda em luto, precisava decidir o que fazer.<br \/>\nDarino viajou, esmagado pela culpa de ter deixado sua m\u00e3e no Brasil. J\u00e1 no segundo dia de aula, o peso da escolha beirava o insuport\u00e1vel. Com uma grade curricular extremamente puxada e um desgaste psicol\u00f3gico enorme, ele s\u00f3 pensava em desistir. Mas desistir n\u00e3o era a cara do Darino: \u201cfiz uma pausa no banheiro, me olhei bem no espelho, ent\u00e3o fechei os olhos, rezei um pouco e pedi for\u00e7a para seguir adiante\u201d.<br \/>\nPerseverou e conseguiu, como j\u00e1 havia feito em muitas fases anteriores. Ainda bem, porque na mesma viagem, convidado pela Endeavor, Darino participou de um encontro no Vale do Sil\u00edcio que seria o trampolim para um enorme salto em sua carreira. A influ\u00eancia de empreendedores com quem teve contato nessa jornada acendeu uma fa\u00edsca e o Darino consultor passou por uma grande transforma\u00e7\u00e3o interna.<br \/>\nH\u00e1 um ditado chin\u00eas que diz que \u201cquando o disc\u00edpulo est\u00e1 pronto, o mestre aparece\u201d. O que faltava para que ele se consolidasse como empreendedor era um neg\u00f3cio, quem sabe um s\u00f3cio. Por isso, no momento certo, o telefone tocou. Era Rafael Biasotto, da Uatt?.<br \/>\n<strong>Chega mais!<\/strong><br \/>\nParado no acostamento da estrada em Florian\u00f3polis, sede da empresa, Rafael fez uma proposta que ambos vinham amadurecendo desde que se conheceram nas mentorias da Endeavor. Ele queria trazer Darino para a empresa como um novo s\u00f3cio. Do outro lado da linha, parado em frente a um hotel no Uruguai, Darino pensou: \u201ca hora \u00e9 agora e, se n\u00e3o for agora, \u00e9 nunca\u201d.<br \/>\nO ano era 2013 e Rafael j\u00e1 tinha feito da Uatt? uma empresa de sucesso. Os s\u00f3cios foram selecionados como Empreendedores Endeavor e eram finalistas do Pr\u00eamio Empreendedor do Ano 2013 da EY.<br \/>\nDe cada lado da linha, t\u00ednhamos dois jovens idealistas, que passaram pelas duras provas de vencer resist\u00eancias e dificuldades familiares e nunca se abateram diante das adversidades. Seguiram sonhos e projetos de vida que aparentemente os levariam a rumos opostos.<br \/>\nUm cresceu nas praias de Santa Catarina: era, como se define Rafael, um \u201cmanezinho da ilha\u201d cheio de ideias, provocador que vivia inventando. O outro cresceu na capital de Minas Gerais, passou a vida concentrado nos estudos, mas tamb\u00e9m virou cidad\u00e3o do mundo trabalhando em projetos diversos. Um mais irrever\u00eancia, o outro mais resultado. Um mais jeans, o outro mais cal\u00e7a social.<br \/>\nTALVEZ JAMAIS TIVESSEM SE CONHECIDO EM OUTRAS CIRCUNST\u00c2NCIAS, MAS ACABARAM ENCONTRANDO UM EQUIL\u00cdBRIO PARA PODEREM, JUNTOS, \u201cESPALHAR COISAS BOAS POR A\u00cd\u201d, COMO \u00c9 TRADUZIDO O PROP\u00d3SITO DA UATT?. ESTAVA FORMADA A SOCIEDADE.<br \/>\n<strong>A troca e a soma<\/strong><br \/>\nAmbos os s\u00f3cios tiveram que aprender bastante um com o outro. Muito alegre e inquieto, Rafael diz que havia uma necessidade muito clara de ter um suporte, uma estrutura de gest\u00e3o para a empresa poder crescer. Ao mesmo tempo, acostumado a trabalhar para grandes empresas, mais formais e planejadas, tem sido um grande aprendizado para Darino entender essa cultura de startup.<br \/>\nSobre a mudan\u00e7a de carreira que o levou para dentro da Uatt?, Darino fala da import\u00e2ncia de continuar fazendo mudan\u00e7as r\u00e1pidas, principalmente devido \u00e0 imprevisibilidade do varejo.<br \/>\nMas a Uatt? \u00e9 hoje uma empresa mais preparada para atravessar as crises e muita coisa mudou a partir das conex\u00f5es e da experi\u00eancia complementar de cada um. Rafael, que h\u00e1 algum tempo estuda a Logosofia, ci\u00eancia do autoconhecimento, valoriza muito o campo experimental da observa\u00e7\u00e3o das ideias como o grande fator de sucesso para conseguir testar e manter um ciclo construtivo de aprendizado e inova\u00e7\u00e3o: \u201cO empreendedor \u00e9 aquele que est\u00e1 sempre em conex\u00e3o com esse ambiente de teste. Tem que tratar as ideias e, assim que estiver seguro, toc\u00e1-las como um projeto de vida\u201d.<br \/>\n<strong>Uatt? What? O qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nA Uatt? hoje possui 65 unidades, entre lojas pr\u00f3prias e franqueadas, al\u00e9m de 1.000 pontos licenciados e 6.000 pontos de vendas multimarcas. Teve um faturamento em 2015 de R$110 milh\u00f5es em toda a rede.<br \/>\nPara o futuro, os planos incluem a conquista de novos mercados com expans\u00e3o internacional, voltar para o mercado de brindes e investir em desenho animado e no licenciamento dos personagens da Uatt?. Depois de conhecer a hist\u00f3ria do Darino e do Rafael, ningu\u00e9m duvida que tudo pode acontecer.<br \/>\n<small><em>Fonte: Endeavor<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rafael Biasotto e Darino Moreira Ten\u00f3rio, Empreendedores Endeavor e s\u00f3cios da Uatt?, contam como a vida juntou dois jovens que sonharam alto e travaram duras batalhas para construir hist\u00f3rias vencedoras. Mesmo nascendo em uma fam\u00edlia de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, ele sempre teve gosto por criar: tanto nas artes, quanto nos neg\u00f3cios. 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