{"id":9871,"date":"2016-02-18T08:00:03","date_gmt":"2016-02-18T10:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=9871"},"modified":"2018-08-27T09:51:39","modified_gmt":"2018-08-27T12:51:39","slug":"brasil-ficou-barato-para-investidores-americanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/brasil-ficou-barato-para-investidores-americanos\/","title":{"rendered":"Brasil ficou barato para investidores americanos"},"content":{"rendered":"<p>O americano Kevin Efrusy afirma j\u00e1 ter perdido a conta das vezes em que esteve no Brasil. S\u00f3cio do Accel Partners, um dos maiores fundos de capital de risco do Vale do Sil\u00edcio, com 17 bilh\u00f5es de d\u00f3lares investidos em quase 500 companhias, o trabalho de Efrusy \u00e9 encontrar, em meio a milh\u00f5es de boas ideias, aquelas com potencial para se transformar em grandes neg\u00f3cios.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/brasil-ficou-barato-para-investir-300x207.jpg\" alt=\"brasil-ficou-barato-para-investir\" width=\"300\" height=\"207\" class=\"alignright size-medium wp-image-9872\" \/><br \/>\nSeu maior acerto foi ter sido um dos primeiros a apostar no Facebook. Os 12 milh\u00f5es de d\u00f3lares aplicados na empresa de Mark Zuckerberg em 2005 viraram mais de 11 bilh\u00f5es de d\u00f3lares nove anos mais tarde, na abertura de capital da companhia. Outros investimentos not\u00f3rios do Accel l\u00e1 fora: o Drop\u00adbox, para armazenamento de dados na nuvem, e o servi\u00e7o de m\u00fasica Spotify.<br \/>\nNo Brasil, receberam aportes do fundo companhias como o Hotel Urbano, l\u00edder em reservas online de hospedagem, e o site de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico baby.com.br, de produtos infantis. Em visita recente ao Brasil, Efrusy falou a EXAME sobre os empreendedores brasileiros e como o cen\u00e1rio de crise no pa\u00eds pode afetar a atratividade das startups locais.<br \/>\n<strong>Continua interessante investir em startups no Brasil \u2014 com o pa\u00eds imerso numa crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n\u00c9 claro. Afinal, est\u00e1 muito mais barato investir \u2014 1 d\u00f3lar vale cerca de 4 reais atualmente \u2014 e h\u00e1 menos competi\u00e7\u00e3o porque a maioria dos investidores do Vale do Sil\u00edcio abandonou o Brasil.<br \/>\nO problema \u00e9 que as startups costumam demandar v\u00e1rias rodadas de investimento, e, quando o cen\u00e1rio econ\u00f4mico est\u00e1 ruim, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil levantar mais dinheiro porque as pessoas ficam apavoradas com a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<br \/>\nPor esse motivo, num momento como esse, \u00e9 preciso ser mais cuidadoso e escolher startups que n\u00e3o exijam muitas rodadas de investimento adicionais. Al\u00e9m disso, descobrir quais ideias v\u00e3o conseguir sobreviver a uma recess\u00e3o \u00e9 uma tarefa complexa.<br \/>\n<strong>Como o senhor compararia o perfil do empreendedor brasileiro com o de outros pa\u00edses? <\/strong><br \/>\nOs brasileiros s\u00e3o muito mais colaborativos e isso ajuda nas negocia\u00e7\u00f5es, porque tendem a enxergar o investidor como um s\u00f3cio, algu\u00e9m que tamb\u00e9m quer ver o neg\u00f3cio dar certo.<br \/>\nEm outros pa\u00edses em desenvolvimento, sobretudo naqueles que t\u00eam um hist\u00f3rico de comunismo ou de segrega\u00e7\u00e3o social, h\u00e1 uma desconfian\u00e7a dos empreendedores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es dos investidores. Por outro lado, faltam disciplina e precis\u00e3o por parte dos brasileiros.<br \/>\n<strong>O senhor poderia dar exemplos dessa falta de disciplina e precis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nParte disso tem a ver com as leis tribut\u00e1rias e trabalhistas brasileiras. Elas s\u00e3o complicadas, confusas e at\u00e9 contradit\u00f3rias. Chamamos um advogado para auditar uma empresa brasileira na qual queremos investir e ele nos disse que a empresa estava de acordo com as normas. Consultamos outro advogado e ele nos disse o contr\u00e1rio.<br \/>\nPor causa dessa confus\u00e3o, os empres\u00e1rios brasileiros n\u00e3o atribuem import\u00e2ncia e urg\u00eancia necess\u00e1rias a essas quest\u00f5es e tendem a querer empurr\u00e1-las com a barriga. Mas, para os investidores, estar de acordo com as leis do pa\u00eds \u00e9 essencial.<br \/>\nOs brasileiros tamb\u00e9m t\u00eam dificuldade de seguir um plano, executar um projeto no ritmo, se ater de forma respons\u00e1vel a um n\u00famero todo trimestre. Mas essas quest\u00f5es t\u00eam evolu\u00ed\u00addo e hoje est\u00e3o melhores do que h\u00e1 quatro anos.<br \/>\n<strong>Quais economias emergentes est\u00e3o \u00e0 frente e poderiam ser um bom exemplo para o Brasil?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA economia da \u00cdndia come\u00e7ou a avan\u00e7ar porque o governo tornou sagrado criar condi\u00e7\u00f5es para facilitar o empreen\u00ad\u00addedorismo. O sistema indiano j\u00e1 foi muito parecido com o do Brasil. A \u00cdndia tinha muitas regras que dificultavam o investimento estrangeiro e protegiam os neg\u00f3cios existentes em detrimento dos novos.<br \/>\nAl\u00e9m disso, leis nacionais e estaduais muitas vezes conflitavam. Era muito dif\u00edcil fazer neg\u00f3cio l\u00e1. Melhorou quando o governo passou a dar previsibilidade aos empreendedores, simplificando o sistema tribut\u00e1rio e diminuindo regula\u00e7\u00f5es e impostos trabalhistas. S\u00f3 assim as empresas se sentem incentivadas a contratar pessoas.<br \/>\n<strong>H\u00e1 algum bom exemplo na Am\u00e9rica Latina?<\/strong><br \/>\nO Chile \u00e9 bem mais avan\u00e7ado do que a \u00cdndia na quest\u00e3o regulat\u00f3ria, e o Estado \u00e9 menos intervencionista. O problema \u00e9 que o pa\u00eds tem um mercado interno muito pequeno.<br \/>\n<strong>Os chilenos gostam de dizer que t\u00eam o Chilecon Valley. H\u00e1 algum lugar do mundo parecido com o Vale do Sil\u00edcio?<\/strong><br \/>\nNenhum lugar chega perto do Vale do Sil\u00edcio porque ele concentra empresas inovadoras de v\u00e1rios setores. Fora dos Estados Unidos, a China, principalmente a regi\u00e3o de Pequim, \u00e9 a que tem uma base mais ampla e diversificada de inova\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm Bangalore, na \u00cdndia, esse fen\u00f4meno ainda \u00e9 bem recente. Mas em outros pa\u00edses existem bols\u00f5es especializados em algum tipo de tecnologia. Na Coreia do Sul h\u00e1 empresas fenomenais em m\u00eddia, games e entretenimento. Em Israel eles s\u00e3o inacreditavelmente bons em softwares de seguran\u00e7a.<br \/>\n<strong>E o que o Accel Partners procura no Brasil para investir?<\/strong><br \/>\nNo momento estamos interessados em empresas que s\u00f3 vendem para outras companhias, as B2B (\u201cde neg\u00f3cio para neg\u00f3cio\u201d). Tamb\u00e9m gostamos daquelas que resolvem problemas peculiares ao pa\u00eds.<br \/>\nA Neoway, de Santa Catarina, desenvolveu um software capaz de filtrar informa\u00e7\u00f5es de 3.000 bancos de dados p\u00fablicos e alguns privados para ajudar empresas a prospectar clientes ou estimar o potencial de vendas de determinado mercado.<br \/>\nEla nos atraiu porque tem um produto que outras start\u00adups n\u00e3o conseguem fazer t\u00e3o bem, um bom modelo de neg\u00f3cios \u2014 uma assinatura que d\u00e1 direito a usar o servi\u00e7o \u2014 e porque uma empresa de qualquer outro lugar do mundo teria muita dificuldade para chegar aqui e entender como ter acesso a esses bancos de dados.<br \/>\nInvestimos nessa empresa em novembro de 2014 e menos de um ano depois j\u00e1 est\u00e1vamos ganhando dinheiro.<br \/>\n<strong>Em 2012, o Accel estava mais interessado em empresas brasileiras de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico. Por qu\u00ea? O setor perdeu o brilho?<\/strong><br \/>\nAs companhias de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico nas quais investimos no passado est\u00e3o indo bem, como a ag\u00eancia online de viagens Hotel Urbano. Mas, como investidores, temos de olhar para as necessidades do mercado que n\u00e3o est\u00e3o sendo atendidas \u2014 e h\u00e1 muitas na seara do B2B.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o a neg\u00f3cios que atendem o consumidor final, estamos de olho em setores que oferecem uma margem de lucro razo\u00e1vel, como servi\u00e7os financeiros e educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>H\u00e1 no Brasil startups com condi\u00e7\u00f5es de competir globalmente?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o. Hoje, poucas tecnologias inventadas por startups brasileiras t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de ser exportadas. Suponho que por um bom per\u00edodo continuar\u00e1 dessa maneira. At\u00e9 agora a maioria delas tem conseguido competir no m\u00e1ximo na Am\u00e9rica Latina. Talvez a Hotel Urbano v\u00e1 para fora do pa\u00eds, assim como a argentina Decolar.com entrou no Brasil. Mas a boa not\u00edcia \u00e9 que o mercado local \u00e9 grande o suficiente.<br \/>\n<small><em>Fonte: Exame.com<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O americano Kevin Efrusy afirma j\u00e1 ter perdido a conta das vezes em que esteve no Brasil. 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