{"id":9812,"date":"2016-01-20T14:23:26","date_gmt":"2016-01-20T16:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=9812"},"modified":"2018-08-27T09:52:16","modified_gmt":"2018-08-27T12:52:16","slug":"para-cada-problema-uma-forma-de-pensar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/para-cada-problema-uma-forma-de-pensar\/","title":{"rendered":"Para cada problema, uma forma de pensar"},"content":{"rendered":"<p>Claro que relaxar n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica atitude poss\u00edvel para melhorar a criatividade. No livro O c\u00e9rebro criativo, rec\u00e9m-lan\u00e7ado em portugu\u00eas, a psic\u00f3loga americana Shelley Carson, da Universidade Harvard, elenca v\u00e1rios modos de funcionamento do c\u00e9rebro e sugere inclusive alguns exerc\u00edcios para estimular insights. Mas recomenda que primeiro entendamos qual \u00e9 o problema que queremos resolver.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/pense-diferente-300x154.png\" alt=\"pense-diferente\" width=\"300\" height=\"154\" class=\"alignright size-medium wp-image-9813\" \/><\/p>\n<blockquote><p>Pessoas criativas entram em estados cerebrais de baixa frequ\u00eancia el\u00e9trica com mais facilidade. Mas isso pode ser treinado<\/p><\/blockquote>\n<p>: : Primeiro, h\u00e1 os problemas razo\u00e1veis, ou l\u00f3gicos. S\u00e3o quest\u00f5es com um \u00fanico ponto final como solu\u00e7\u00e3o. Equilibrar receita e custos, por exemplo, ou montar um brinquedo a partir do manual. Para problemas assim, conv\u00e9m usar o m\u00e9todo l\u00f3gico.<br \/>\n: : Um segundo tipo de problema \u00e9 o n\u00e3o razo\u00e1vel. Ele tamb\u00e9m tem um \u00fanico ponto final como solu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o existe um mapa para chegar l\u00e1. Voc\u00ea tipicamente vai precisar de um insight. As charadas s\u00e3o um bom exemplo.<br \/>\n: : Finalmente, h\u00e1 os problemas mal estruturados, ou abertos. S\u00e3o quest\u00f5es que t\u00eam mais de uma solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Escrever uma m\u00fasica, por exemplo. Ou melhorar a educa\u00e7\u00e3o infantil. Para estes, voc\u00ea precisa de um tipo de pensamento que os especialistas chamam de divergente \u2013 capaz de gerar muitas ideias. Ele \u00e9 o oposto do convergente, \u00f3timo em conclus\u00f5es.<br \/>\nPara a maioria dos grandes problemas desafiadores de hoje nas empresas, pelo menos em algum momento ser\u00e1 necess\u00e1rio ter um insight. Por isso selecionamos algumas recomenda\u00e7\u00f5es, extra\u00eddas da fronteira entre a ci\u00eancia e a experi\u00eancia de gente reconhecidamente criativa.<br \/>\n<strong>1. O BOM HUMOR AJUDA<\/strong><br \/>\n\u00c9 quase intuitivo que um ambiente descontra\u00eddo produza mais ideias que um lugar carrancudo. Mas, como a maioria das ideias \u00e9 pura brincadeira, h\u00e1 d\u00favidas de que a descontra\u00e7\u00e3o realmente valha a pena. A\u00ed entra a ci\u00eancia. Descobertas recentes levam a crer que sim, a brincadeira traz resultados. Lehrer cita um estudo feito com dois grupos de crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar \u2013 um de um col\u00e9gio onde o m\u00e9todo pedag\u00f3gico era baseado na divers\u00e3o; outro que estudava em um sistema de ensino convencional, com \u00eanfase nos exerc\u00edcios de matem\u00e1tica e fon\u00e9tica. \u201cDepois de um ano, as crian\u00e7as da escola que priorizava a divers\u00e3o mostraram melhor desempenho em habilidades cognitivas essenciais, como memoriza\u00e7\u00e3o, foco e autocontrole.\u201d Quando o c\u00e9rebro est\u00e1 se divertindo, diz Lehrer, abre-se a porta para abordagens inusitadas dos problemas.<br \/>\n<strong>2. O MAU HUMOR \u00c9 ESSENCIAL<\/strong><br \/>\nO bom humor pode ser um bom acompanhante, mas \u00e9 o mau humor quem geralmente compra a passagem para a viagem criativa. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender. S\u00f3 faz sentido usar a criatividade se for para mudar algo. E s\u00f3 faz sentido mudar algo se a pessoa estiver insatisfeita com o modo como as coisas est\u00e3o. \u201cO modo cerebral transformar\u201d, diz Shelley, \u201c\u00e9 basicamente um estado em que seus sentimentos s\u00e3o levemente negativos e seus pensamentos s\u00e3o autorreferenciais\u201d.<br \/>\nAo percorrer os caminhos feitos pelo c\u00e9rebro para solucionar um problema, cientistas descobriram que a frustra\u00e7\u00e3o surgida de um grande esfor\u00e7o \u00e9 uma etapa essencial para o processo criativo. Ao estudar as rea\u00e7\u00f5es de pessoas colocadas diante de quest\u00f5es de l\u00f3gica, o psic\u00f3logo Mark Beeman notou um padr\u00e3o na forma como surgia a solu\u00e7\u00e3o. Ela \u201csaltava\u201d de repente, ap\u00f3s as pessoas terem feito um grande esfor\u00e7o sem chegar a lugar nenhum. A raz\u00e3o disso \u00e9 que, neste momento, desarma-se o hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro, \u00e1rea respons\u00e1vel por uma leitura literal das situa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o prevalece o lado direito, onde ruminamos quest\u00f5es abstratas por meio de analogias e associa\u00e7\u00f5es. \u201cO mundo \u00e9 t\u00e3o complexo que o c\u00e9rebro tem de processar tudo das duas formas ao mesmo tempo\u201d, diz Beeman. Em outras palavras, enquanto o hemisf\u00e9rio esquerdo nos deixa \u201cver\u201d uma \u00e1rvore, cabe ao direito nos ajudar a \u201centender\u201d a floresta. Por\u00e9m, para ter insights, a por\u00e7\u00e3o floresta \u2013 das analogias \u2013 \u00e9 mais importante.<br \/>\n\u201cToda jornada criativa come\u00e7a com um desapontamento causado por um impasse\u201d, afirma Lehrer. No mundo das artes, um dos melhores exemplos est\u00e1 na trajet\u00f3ria do cantor e compositor americano Bob Dylan. Em 1965, ele fazia um sucesso assombroso, por\u00e9m vivia uma crise atroz. N\u00e3o gostava do pr\u00f3prio trabalho. Em meio a turn\u00eas e paparicos de f\u00e3s e jornalistas, decidiu chutar tudo para o alto. Comunicou a seu empres\u00e1rio que iria abandonar a m\u00fasica e fugiu para uma cabana em Woodstock, onde pretendia iniciar uma carreira como escritor. Nem levou sua guitarra. Neste momento, sozinho e angustiado, Dylan foi assaltado por um novo \u00edmpeto criativo. Come\u00e7ou a rabiscar Like a rolling stone, composi\u00e7\u00e3o que marcaria um novo patamar em sua carreira e \u00e9, at\u00e9 hoje, uma das can\u00e7\u00f5es mais reproduzidas pelo mundo. Ele inaugurava a\u00ed um estilo que influenciou gera\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos, incluindo os Beatles.<br \/>\n<strong>3. O PODER DA MISTURA<\/strong><br \/>\nH\u00e1 tr\u00eas anos, a Tetra Pak demorava oito horas para carregar seus caminh\u00f5es com as embalagens que vende para outras ind\u00fastrias. Hoje, o servi\u00e7o \u00e9 feito em duas horas. O ganho de produtividade surgiu a partir de ideias de um time dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios \u2013 mas nenhum deles do departamento que cuida dessa log\u00edstica. \u201cN\u00f3s percebemos que quem est\u00e1 dentro do problema j\u00e1 se acostumou tanto com ele que sofre para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o\u201d, diz Vladimir Bosio, diretor da unidade de Monte Mor (SP) da Tetra Pak. \u201cQuem vem de fora consegue apontar rapidamente os erros.\u201d<br \/>\nNa Embraer, esse olhar \u201cestrangeiro\u201d est\u00e1 no cerne do neg\u00f3cio. A companhia s\u00f3 come\u00e7a a construir uma aeronave depois de ouvir clientes e fornecedores. Al\u00e9m de usar esses est\u00edmulos externos, a Embraer estabeleceu outra rotina para estimular a inova\u00e7\u00e3o: duas vezes ao m\u00eas, 300 funcion\u00e1rios passam uma semana dedicados a encontrar formas de aprimorar um processo. \u201c\u00c9 um grande est\u00edmulo \u00e0 criatividade, porque as pessoas sabem que podem virar os processos de cabe\u00e7a para baixo, se isso resultar em alguma melhoria\u201d, diz Jos\u00e9 Ricardo Vilela, gerente de qualidade corporativa.<br \/>\nTalvez o melhor exemplo do poder das ideias de fora seja a experi\u00eancia do laborat\u00f3rio Eli Lilly. No final dos anos 90, Alpheus Bingham era o vice-presidente respons\u00e1vel por pesquisa na companhia. A empresa gastava milh\u00f5es de d\u00f3lares em v\u00e1rias linhas de pesquisa, sem resultados \u00e0 altura. Bingham teve ent\u00e3o uma ideia: tornar alguns problemas p\u00fablicos, via internet. Criou um site chamado InnoCentive, prometendo recompensas a quem os resolvesse. No come\u00e7o, nada aconteceu. Mas, um m\u00eas depois de lan\u00e7ado, o site recebeu a primeira resposta. Depois outra. E outra.<br \/>\nDeu t\u00e3o certo que a InnoCentive virou uma empresa separada, que vende solu\u00e7\u00f5es para v\u00e1rias companhias. E por que d\u00e1 t\u00e3o certo? Em geral, s\u00e3o cientistas de outras \u00e1reas que conseguem resolver os problemas imposs\u00edveis. No caso da Eli Lilly, bi\u00f3logos tinham uma vis\u00e3o diferente da dos qu\u00edmicos da empresa. Eram especialistas com conhecimento pr\u00f3ximo o suficiente para entender o problema, mas afastado o bastante para n\u00e3o ficar enredados nas pr\u00e1ticas tradicionais.<br \/>\n<strong>4. O VALOR DO VAZIO<\/strong><br \/>\nUm dos paradoxos da inova\u00e7\u00e3o \u00e9 que, para ser eficiente, voc\u00ea precisa cultivar a inefici\u00eancia. Para entender como isso funciona, pense no seu carro. Quando voc\u00ea aprendeu a dirigir, prestava aten\u00e7\u00e3o a cada movimento \u2013 da marcha a ser trocada ao carro no retrovisor. Aos poucos, os procedimentos ficaram autom\u00e1ticos. Viraram h\u00e1bitos. Gra\u00e7as aos h\u00e1bitos, podemos concentrar nossa aten\u00e7\u00e3o nos problemas novos. Eles nos tornam mais eficientes. Mas, ao mesmo tempo, tolhem nossa percep\u00e7\u00e3o. \u201cSomos t\u00e3o eficientes em nossa rotina que automaticamente pr\u00e9-classificamos os dados \u00e0 nossa volta como irrelevantes e nunca os notamos\u201d, diz Shelley. \u201cA inibi\u00e7\u00e3o cognitiva aumenta a efici\u00eancia de nossa tarefa.\u201d<br \/>\nO problema \u00e9 que ficamos mais eficientes na tarefa que j\u00e1 conhecemos. E a inova\u00e7\u00e3o vem do que n\u00e3o conhecemos. Para voltar a perceber o que deliberadamente aprendemos a ignorar, Shelley recomenda que ponhamos o c\u00e9rebro no modo absorver. \u00c9 um est\u00e1gio em que a atividade el\u00e9trica do c\u00e9rebro \u00e9 menor, com ondas de maior amplitude (as ondas alfa). Pesquisas indicam que \u201cpessoas mais criativas entram em estados cerebrais de baixa frequ\u00eancia mais facilmente do que pessoas menos criativas\u201d, diz Shelley.<br \/>\nIsso pode ser treinado. \u00c9 o que faz M\u00e1rcio Ballas. Treina duro para deixar a cabe\u00e7a vazia, bem vazia. Pode parecer esquisito, mas \u00e9 assim que come\u00e7a seu processo de cria\u00e7\u00e3o como improvisador. \u201cVoc\u00ea precisa n\u00e3o pensar em nada. A melhor forma de fazer isso \u00e9 focar apenas no que est\u00e1 acontecendo aqui e agora.\u201d Quando se consegue isso \u00e9 poss\u00edvel partir para o segundo passo: a escuta perif\u00e9rica. Ficar ligado em cada movimento, cada palavra, cada gesto dos colegas \u00e9 fundamental para perceber a hora de interagir, de fazer uma piada. Agora, nada disso vai funcionar se outro mecanismo mental n\u00e3o for acionado: o da aceita\u00e7\u00e3o. \u201cO improviso s\u00f3 \u00e9 bem-sucedido se voc\u00ea consegue n\u00e3o julgar o outro. Tem de aceitar a ideia que lhe deram e viajar\u201d, diz Ballas.<br \/>\n<strong>5. ESTAR PREPARADO<\/strong><br \/>\nNo processo de lapidar uma ideia, ap\u00f3s atravessar as primeiras barreiras do processo criativo, o c\u00e9rebro ainda precisa contar com uma dose de sorte. N\u00e3o basta a bola chegar livre na boca do gol: \u00e9 preciso que o jogador esteja na \u00e1rea. O escritor americano Philip Roth, um dos mais celebrados do mundo, \u00e9 paranoico em rela\u00e7\u00e3o a n\u00e3o perder ideias. Sem acesso a telefone ou internet, Roth passa o dia escrevendo e, n\u00e3o raro, atravessa a noite burilando seus personagens. \u201cSe acordo \u00e0s 2h e uma ideia surge, acendo a luz e escrevo no quarto\u201d, disse ele \u00e0 revista americana The New Yorker. Para capturar ideias a qualquer momento, ele deixa diversas folhinhas amarelas espalhadas pela casa. \u201cVivo de plant\u00e3o. Sou como um m\u00e9dico e este \u00e9 o pronto-socorro. Estou na emerg\u00eancia.\u201d<br \/>\n<strong>6. ESTAR NO AMBIENTE CERTO<\/strong><br \/>\nQuando crian\u00e7a, o estilista paulistano Pedro Louren\u00e7o implicou com o uniforme imposto pela escola aos estudantes. Teve, ent\u00e3o, a ideia de reestilizar a roupa colocando um pouco do seu jeito no modelito. Os pais, os tamb\u00e9m estilistas Reinaldo Louren\u00e7o e Gl\u00f3ria Coelho, n\u00e3o s\u00f3 o incentivaram, como foram junto escolher o tecido. Louren\u00e7o, hoje com 21 anos, j\u00e1 desfilou suas cole\u00e7\u00f5es por todas as principais semanas de moda internacionais. Sua hist\u00f3ria \u00e9 um exemplo de como o ambiente pode estimular a criatividade. No Rio de Janeiro dos anos 60, compositores como Jo\u00e3o Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes eram o centro das aten\u00e7\u00f5es de um grupo que se encontrava com frequ\u00eancia para fazer experimenta\u00e7\u00f5es musicais. Ali se formaram jovens talentos como Chico Buarque, Nara Le\u00e3o e Carlos Lyra.<br \/>\nEste \u00e9, em suma, o poder das grandes cidades, de acordo com pesquisas dos f\u00edsicos Geoffrey West e Luis Bettencourt. Pessoas que vivem nas metr\u00f3poles t\u00eam acesso a uma atmosfera rica em experi\u00eancias e conex\u00f5es, portanto muito prop\u00edcia ao autodesenvolvimento. Segundo eles, o morador de uma cidade com 1 milh\u00e3o de habitantes gera, em m\u00e9dia, 15% mais patentes e tem sal\u00e1rio 15% maior que a pessoa que vive num lugar com metade da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>7. ENCONTRAR OS LIMITES<\/strong><br \/>\nOutro paradoxo da criatividade \u00e9 que ela precisa de limites. Basicamente, porque tem muito mais valor uma cria\u00e7\u00e3o que ultrapassa as regras do que uma que apenas as desconhece. Um exemplo \u00e9 o trabalho dos poetas. Eles se debatem com regras que eles pr\u00f3prios se imp\u00f5em, de m\u00e9trica e sonoridade.<br \/>\nNas empresas, os projetos tamb\u00e9m precisam de par\u00e2metros. Sem eles, como saber por onde come\u00e7ar? At\u00e9 na dan\u00e7a \u00e9 assim. Quando Rodrigo Pederneiras, core\u00f3grafo do Grupo Corpo, convidou Tom Z\u00e9 para compor a trilha sonora do bal\u00e9 Santagustin, fez somente um pedido: divirta-se. O m\u00fasico baiano n\u00e3o gostou muito da conversa. Queria um ponto de partida. \u201cCriar assim do nada \u00e9 muito complicado\u201d, disse. Pederneiras o presenteou com uma restri\u00e7\u00e3o. A trilha deveria ter entre 45 e 50 minutos. N\u00e3o foi suficiente para facilitar a vida de Tom Z\u00e9. J\u00e1 a sua ficou uma beleza. \u201cO meu trabalho precisa da m\u00fasica para acontecer. Ouvindo a trilha eu penso num tema para o espet\u00e1culo e come\u00e7o a transformar ideias em movimento.\u201d<br \/>\n<strong>8. NEGAR OS LIMITES<\/strong><br \/>\nUm trabalho criativo tem sempre algo de violento. Algum limite ter\u00e1 de ser rompido. \u00c9 por isso que o premiado ficcionista portugu\u00eas Ant\u00f3nio Lobo Antunes gosta de projetos que, ao menos no in\u00edcio, parecem estar muito al\u00e9m da sua capacidade de entrega. \u201cS\u00f3 vale a pena come\u00e7armos um romance quando temos a certeza de que n\u00e3o somos capazes de o fazer\u201d, disse ele numa apresenta\u00e7\u00e3o na Feira Liter\u00e1ria de Paraty. Mirar num objetivo t\u00e3o acima das pr\u00f3prias capacidades \u00e9 um meio de acionar recursos e um repert\u00f3rio que nem sabemos que possu\u00edmos.<br \/>\nO consultor de empresas Oscar Motomura, especialista em inova\u00e7\u00e3o, tem a sua vers\u00e3o do m\u00e9todo de Lobo Antunes. Uma de suas provoca\u00e7\u00f5es usuais \u00e9 perguntar \u201cquais as equa\u00e7\u00f5es imposs\u00edveis que voc\u00eas querem resolver\u201d. Algo parecido com isso se tornou rotina na Embraco, fabricante de equipamentos de refrigera\u00e7\u00e3o: o processo de inova\u00e7\u00e3o come\u00e7a sempre com metas ambiciosas. A empresa une pesquisas, estudos e conhecimento emp\u00edrico para imaginar como ser\u00e1 o mundo em dez anos. A partir da\u00ed, os funcion\u00e1rios s\u00e3o desafiados a buscar solu\u00e7\u00f5es para futuras demandas. Num desses exerc\u00edcios, identificaram a tend\u00eancia de miniaturiza\u00e7\u00e3o. Os compressores de hoje n\u00e3o pesam menos de 10 quilos, mas eles desenvolveram um microcompressor do tamanho de um pincel at\u00f4mico, t\u00e3o f\u00e1cil de transportar que serve para refrigerar roupas, como fardas militares e macac\u00f5es de pilotos de corrida.<br \/>\n<strong>9. REPETIR E REPETIR<\/strong><br \/>\nA cerca de 700 quil\u00f4metros de altitude da Terra, o sat\u00e9lite CBERS 3 utiliza uma c\u00e2mera ultrapotente criada num laborat\u00f3rio em S\u00e3o Carlos, interior de S\u00e3o Paulo. \u201cSe n\u00e3o houvesse nuvens ou a curvatura do globo, sua resolu\u00e7\u00e3o permitiria que, aqui do meu escrit\u00f3rio, fossem capturadas imagens de um carro em Bras\u00edlia\u201d, diz Jarbas Vasconcelos, s\u00f3cio-presidente da Opto, empresa de equipamentos m\u00e9dicos e aeroespaciais que construiu a engenhoca. Sua estrat\u00e9gia \u00e9 trabalhar com tecnologia de ponta aeroespacial para, mais adiante, transbordar as descobertas feitas durante as pesquisas para produtos mais simples. Nesses casos, o investimento em pesquisa j\u00e1 est\u00e1 pago. E dela v\u00eam lasers para cirurgias m\u00e9dicas, lentes para \u00f3culos ou microsc\u00f3pios. \u201cOs pesquisadores participam de v\u00e1rios projetos simult\u00e2neos para que o conhecimento possa circular pela empresa\u201d, afirma Vasconcelos. \u00c9 uma estrat\u00e9gia que parece um bal\u00e9.<br \/>\nQuem compra um ingresso para um espet\u00e1culo de dan\u00e7a do Grupo Corpo sabe que encontrar\u00e1 uma assinatura: o famoso movimento em que os bailarinos jogam o quadril para tr\u00e1s e para frente, num contido rebolado. Ele se repete a cada espet\u00e1culo. Mas \u00e9 sempre diferente. Misturado a movimentos secos e a uma m\u00fasica lancinante, o rebolado faz parte de um bal\u00e9 que remete \u00e0 viol\u00eancia e ao caos urbano. Se usado no meio de passos delicados e fluidos, enfatiza a sensualidade. \u201cN\u00e3o existe em \u00e1rea nenhuma um criador que cada hora fa\u00e7a uma coisa diferente. \u00c9 fundamental construir uma linguagem que seja reconhecida e reconhec\u00edvel\u201d, diz o core\u00f3grafo Rodrigo Pederneiras. Ele levou uma d\u00e9cada para construir essa identidade (o grupo existe h\u00e1 37 anos). A\u00ed come\u00e7ou a criar varia\u00e7\u00f5es sobre o mesmo tema. Quem os assiste sempre os reconhece. E sempre se surpreende.<br \/>\n<small><em>Fonte: \u00c9poca Neg\u00f3cios<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claro que relaxar n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica atitude poss\u00edvel para melhorar a criatividade. 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