{"id":9659,"date":"2015-10-27T18:56:41","date_gmt":"2015-10-27T20:56:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=9659"},"modified":"2018-08-27T09:55:14","modified_gmt":"2018-08-27T12:55:14","slug":"donos-do-spoleto-faliram-varias-vezes-mas-hoje-possuem-600-lojas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/donos-do-spoleto-faliram-varias-vezes-mas-hoje-possuem-600-lojas\/","title":{"rendered":"Donos do Spoleto faliram v\u00e1rias vezes, mas hoje possuem 600 lojas"},"content":{"rendered":"<p>Em 1997, os cariocas Eduardo Ourivio e Mario Chady estavam, para dizer o m\u00ednimo, enrascados. At\u00e9 ali, a dupla inaugurara seis empreendimentos gastron\u00f4micos, entre eles o sofisticado restaurante Guilhermina Caf\u00e9, no Rio de Janeiro. O neg\u00f3cio, por\u00e9m, n\u00e3o valia nada. A gest\u00e3o financeira era uma cat\u00e1strofe. Embora filas de clientes se formassem na porta do estabelecimento, o caixa estava sempre no vermelho. Parecia um paradoxo, algo contradit\u00f3rio, como exibir um Porsche na garagem mas n\u00e3o ter dinheiro para abastec\u00ea-lo. \u201cO fato \u00e9 que demoramos para entender a import\u00e2ncia dos n\u00fameros\u201d, afirma Ourivio. \u201cT\u00ednhamos a ilus\u00e3o de que a parte gerencial era a mais relevante dos neg\u00f3cios.\u201d<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/spoleto-historia.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/spoleto-historia-300x199.jpg\" alt=\"spoleto-historia\" width=\"300\" height=\"199\" class=\"alignright size-medium wp-image-9660\" \/><\/a>Isso, hoje, mudou. Depois de fal\u00eancias em s\u00e9rie, Ourivio e Chady, amigos desde a adolesc\u00eancia, entendem \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o o sentido dos n\u00fameros \u2013 e eles s\u00e3o impressionantes. A dupla criou o Grupo Trigo, com tr\u00eas redes de franquias, todas l\u00edderes nos segmentos em que atuam. S\u00e3o elas o fast-food de culin\u00e1ria italiana Spoleto, a pizzaria Domino\u2019s e o Koni, de comida japonesa. Dessa \u00faltima categoria gastron\u00f4mica fazem parte o delivery Gokoni, adquirido pelos empres\u00e1rios no in\u00edcio deste ano, e o requintado Gurum\u00ea, aberto em outubro de 2014, no Rio.<br \/>\nAo todo, as bandeiras somam 583 lojas, espalhadas pelo Brasil, M\u00e9xico e Costa Rica. Em mar\u00e7o, o Spoleto, carro-chefe do grupo, deu um novo e importante passo. Teve a sua primeira unidade aberta em Orlando, nos Estados Unidos. At\u00e9 o ano que vem, est\u00e3o prometidas entre oito e dez unidades do restaurante na Fl\u00f3rida. Se forem bem, elas alcan\u00e7ar\u00e3o outros estados americanos, como o Texas e a Carolina do Norte. A empresa cresce em m\u00e9dia 20% ao ano. De 2011 para c\u00e1, dobrou o faturamento. Fechou 2014 com R$ 882 milh\u00f5es em receitas e deve atingir R$ 1 bilh\u00e3o at\u00e9 dezembro. De 2013 para 2014, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, deprecia\u00e7\u00e3o e amortiza\u00e7\u00e3o) aumentou 42%.<br \/>\n<strong>O sonho americano<\/strong><br \/>\nA entrada do Spoleto nos Estados Unidos \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o de um sonho antigo. \u201cSempre acreditamos que ningu\u00e9m \u00e9 melhor do que ningu\u00e9m\u201d, diz Ourivio. \u201cSe as marcas americanas v\u00eam para o Brasil, por que n\u00e3o poder\u00edamos ir para l\u00e1?\u201d \u00c9 claro que existem centenas de bons motivos para isso. Esqueceram, no entanto, de avisar aos dois amigos cariocas.<br \/>\nFoi em 2008 que eles tentaram pela primeira vez se fixar em solo americano. Chady desembarcou em Boston com um plano de expans\u00e3o debaixo do bra\u00e7o e o apresentou a um l\u00edder de um grande banco local. O executivo estrangeiro ouviu a explana\u00e7\u00e3o e, ao final, endossou a estrat\u00e9gia. Concordou, inclusive, em ajudar a financi\u00e1-la. Mas, de repente, mudou o rumo da conversa. Surpreendeu Chady ao mencionar uma cidade brasileira de 100 mil habitantes, localizada em Santa Catarina: \u201cVoc\u00ea sabe qual \u00e9 o PIB per capita do munic\u00edpio de Tubar\u00e3o?\u201d, questionou o banqueiro. Chady n\u00e3o tinha ideia, mas entendeu o recado: o financista, delicadamente, queria lhe mostrar que ainda havia muito espa\u00e7o para ocupar no Brasil. Ourivio e Chady, ent\u00e3o, arquivaram a ideia da investida americana.<br \/>\nEm 2013, ela ressurgiu. Foi despertada de supet\u00e3o por John Velasquez, um executivo da Domino\u2019s, que pertence ao Grupo Trigo, nascido nos Estados Unidos. Em uma tacada s\u00f3, ele prop\u00f4s aos chefes que 1) o Spoleto entrasse em seu pa\u00eds, 2) que ele fosse o respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o e 3) que se tornasse s\u00f3cio do neg\u00f3cio. \u201cN\u00f3s nos conhec\u00edamos havia sete anos e trabalh\u00e1vamos bem juntos\u201d, diz Ourivio. \u201cTopamos e ali se formou a parceria ideal.\u201d O momento tamb\u00e9m era convidativo. A economia americana voltava a crescer, mas os pre\u00e7os de aluguel dos im\u00f3veis, em um rescaldo do estouro da bolha de 2008, continuavam baixos, o que facilitava a instala\u00e7\u00e3o da marca.<br \/>\nA popular Spoleto ganhou, em Orlando (EUA),  uma vers\u00e3o mais sofisticada. Virou fast-casual, um modelo que mistura o pre\u00e7o baixo do fast-food a um atendimento com mais qualidade, embora sem gar\u00e7ons. Por que eles n\u00e3o adotam o mesmo formato por aqui?<br \/>\n<strong>Um novo nicho<\/strong><br \/>\nEnquanto no Brasil o Spoleto \u00e9 uma rede popular, a vers\u00e3o americana compete em um novo nicho, chamado de fast-casual. Trata-se de um segmento que fica entre o fast-food (pelos pre\u00e7os baixos) e o restaurante convencional (pelo atendimento com qualidade, embora sem gar\u00e7ons). A principal representante desse modelo por l\u00e1 \u00e9 a rede Chipotle, de culin\u00e1ria mexicana. No Brasil, o fast-casual \u00e9 pouco difundido. Os estabelecimentos que mais se aproximam dessa f\u00f3rmula, embora tenham gar\u00e7ons, s\u00e3o o Applebee\u2019s, o Outback e o Red Lobster.<br \/>\nO objetivo da dupla brasileira n\u00e3o \u00e9 somente ingressar no mercado americano, mas lider\u00e1-lo. Um desafio consider\u00e1vel. E arriscado, mas quem acompanha a trajet\u00f3ria empreendedora dos s\u00f3cios sabe que tomar risco n\u00e3o \u00e9 problema para eles. Nem mesmo os fracassos em s\u00e9rie (eles faliram seis empreendimentos) os intimidaram. Ao contr\u00e1rio. Quando tudo desabava, eles come\u00e7aram a idealizar uma rede de culin\u00e1ria italiana, que unisse a rapidez do fast-food \u00e0 qualidade dos produtos de um restaurante tradicional. Em 1999, Chady enxergou no modelo de franquias uma oportunidade. Sem fazer contas (mais uma vez), os dois amigos montaram um stand na feira da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Franchising. Durante o evento, o ainda inexistente Spoleto j\u00e1 tinha duas unidades vendidas. Dessa vez, a atitude n\u00e3o calculada deu certo.<br \/>\nAntonio Leite, CEO do bra\u00e7o de franquias do Grupo Trigo, no escrit\u00f3rio da empresa, no Rio: \u201cMudamos a estrutura da companhia, e os gestores come\u00e7aram a se sentir donos do neg\u00f3cio. Isso agiliza a tomada de decis\u00f5es\u201d (Foto: Eduardo Zappia)<br \/>\n<strong>Uma nova estrutura<\/strong><br \/>\nHoje, al\u00e9m de olhar os n\u00fameros com acuidade, Ourivio e Chady (que por seguran\u00e7a n\u00e3o se deixam fotografar) querem dar maior efic\u00e1cia \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o. Em julho de 2014, dividiram o grupo em tr\u00eas unidades. A principal delas \u00e9 a Trigo Franquias, que ganhou um CEO: Antonio Leite, ex-diretor de marketing e franchising da empresa. \u201cCom a divis\u00e3o, acentuamos entre os gestores um sentimento de donos do neg\u00f3cio\u201d, afirma Leite. A unidade pela qual ele \u00e9 respons\u00e1vel \u00e9 formada pelas 552 lojas franqueadas das marcas Spoleto, Domino\u2019s e Koni (as demais, 31 no total, s\u00e3o de propriedade dos fundadores).<br \/>\nA segunda vertente \u00e9 a Trigo Suprimentos, composta por uma distribuidora e uma f\u00e1brica. A distribuidora concentra a compra dos ingredientes usados nas lojas, e a ind\u00fastria (em Volta Redonda, no Rio de Janeiro) produz 42% dos insumos comprados pelas tr\u00eas redes. A terceira vertente \u00e9 formada pelas filiais pr\u00f3prias, que incluem lojas das redes Spoleto, Domino\u2019s e Koni, o delivery Gokoni e o restaurante Gurum\u00ea.<br \/>\nA nova estrutura da empresa \u2013 assim como os planos de expans\u00e3o e boa parte do modelo de gest\u00e3o \u2013 foi constru\u00edda com a ajuda do Instituto Empreender Endeavor, uma organiza\u00e7\u00e3o que oferece suporte a neg\u00f3cios com alto potencial de crescimento. Foi o instituto que agendou o encontro com o presidente do banco americano, a quem Chady apresentou o plano de expans\u00e3o, em 2008.<br \/>\nEntre os outros mentores do grupo est\u00e3o Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, fundadores do 3G Capital e controladores das gigantes Anheuser-Busch InBev e Kraft Heinz. Desde 2003, quando se tornaram \u201cempreendedores Endeavor\u201d, os fundadores do Grupo Trigo se aproximaram do trio. \u201cAt\u00e9 dois anos atr\u00e1s, encontr\u00e1vamos o Marcel Telles uma ou duas vezes por ano\u201d, afirma Ourivio. \u201cDiscut\u00edamos as quest\u00f5es da nossa empresa. Com isso, ele se tornou uma esp\u00e9cie de padrinho do nosso neg\u00f3cio.\u201d<br \/>\nOs dois pilares da gest\u00e3o do Trigo foram inspirados no 3G: formar pessoas e expandir constantemente. \u201cPara n\u00e3o perder talentos, \u00e9 preciso dar a oportunidade para que eles cres\u00e7am\u201d, afirma Ourivio. \u201cPara tornar isso poss\u00edvel, \u00e9 preciso crescer sempre.\u201d<br \/>\nMario Chady e Eduardo Ourivio j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o no dia a dia da companhia. Participam agora de um conselho consultivo e se dedicam a buscar novos neg\u00f3cios e fornecedores. Embora trabalhem a maior parte do tempo em casa, em avi\u00f5es ou em hot\u00e9is, mant\u00eam um escrit\u00f3rio de 30 metros quadrados em cima de uma das lojas da Domino\u2019s, no Rio. \u201c\u00c9 um lugar simples, de volta \u00e0s bases\u201d, diz Ourivio. \u201cPara mantermos os p\u00e9s no ch\u00e3o.\u201d At\u00e9 porque ainda h\u00e1 muito a ser conquistado. A cidade de Tubar\u00e3o, onde o PIB per capita \u00e9 de R$ 24 mil, por exemplo, ainda n\u00e3o tem nenhum Spoleto.<br \/>\n<small><em>Fonte: \u00c9poca Neg\u00f3cios<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1997, os cariocas Eduardo Ourivio e Mario Chady estavam, para dizer o m\u00ednimo, enrascados. At\u00e9 ali, a dupla inaugurara seis empreendimentos gastron\u00f4micos, entre eles o sofisticado restaurante Guilhermina Caf\u00e9, no Rio de Janeiro. O neg\u00f3cio, por\u00e9m, n\u00e3o valia nada. A gest\u00e3o financeira era uma cat\u00e1strofe. 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