{"id":9254,"date":"2015-05-22T19:14:20","date_gmt":"2015-05-22T22:14:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=9254"},"modified":"2018-08-27T09:55:40","modified_gmt":"2018-08-27T12:55:40","slug":"empreendedor-busca-lucro-vendendo-alimentos-em-favelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/empreendedor-busca-lucro-vendendo-alimentos-em-favelas\/","title":{"rendered":"Empreendedor busca lucro vendendo alimentos em favelas"},"content":{"rendered":"<p>Em 2011, o chileno Jos\u00e9 Manuel Moller, ent\u00e3o com 22 anos, estudava administra\u00e7\u00e3o em uma universi\u00addade de Santiago, capital do Chile, quando decidiu, junto com quatro amigos, mudar-se para La Granja, um bairro pobre na regi\u00e3o metropolitana da cidade. N\u00e3o foram s\u00f3 alguns colegas que estranharam. \u201cQuando chegamos, os vizinhos pensaram que \u00e9ramos policiais\u201d, lembra Moller.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/jose-manuel-moller-algramo.jpg\" alt=\"jose-manuel-moller-algramo\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignright size-full wp-image-9255\" \/><br \/>\nO objetivo era \u201ccompreender a realidade que estudava em n\u00fameros na faculdade\u201d. Come\u00e7ava ali a experi\u00eancia que levaria Moller a ser o \u00fanico latino-americano a entrar para a lista dos empreendedores mais inovadores da revista americana Fast Company.<br \/>\nDos cinco jovens, Moller era o respons\u00e1vel por comprar os alimentos da casa. E n\u00e3o demorou para que ele percebesse que estava gastando muito mais do que de costume. Nos bairros mais pobres de Santiago, a popula\u00e7\u00e3o costuma fazer as compras em armaz\u00e9ns. Os motivos para essa predile\u00e7\u00e3o variam.<br \/>\nEm muitas comunidades n\u00e3o h\u00e1 supermercados por perto, e nem todos t\u00eam carro para ir at\u00e9 eles. \u201cNa base da pir\u00e2mide social, muita gente recebe o sal\u00e1rio por dia ou semana. Por isso, as compras s\u00e3o feitas tamb\u00e9m diariamente\u201d, diz Luis Saez, professor de economia da Universidade de Santiago de Chile.<br \/>\nDiante dessa realidade, Moller decidiu criar a Algramo, startup que se prop\u00f5e a baixar o pre\u00e7o de produtos aliment\u00edcios, como arroz, feij\u00e3o, lentilha e gr\u00e3o-de-bico.<br \/>\nOs pequenos com\u00e9rcios n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para estocar? A Algramo tem. N\u00e3o t\u00eam escala? A Algramo tem. A empresa compra grandes quantidades diretamente de produtores, coloca a comida em m\u00e1quinas de autosservi\u00e7o, similares \u00e0s usadas para latas de refrigerante, faz parceria com os donos de armaz\u00e9ns e consegue vender a um pre\u00e7o menor.<br \/>\n\u201cDe modo geral, o valor dos produtos da Algramo \u00e9 40% mais baixo\u201d, diz Rosa Miranda, dona do armaz\u00e9m Primavera, no bairro Recoleta, em Santiago. Ao todo, a Algramo est\u00e1 em 200 armaz\u00e9ns de Santiago. \u201cSomos uma empresa com uma miss\u00e3o social, mas estamos longe de ser uma funda\u00e7\u00e3o. Queremos o lucro\u201d, avisa Moller.<br \/>\n\u00c0 primeira vista, a experi\u00eancia chilena parece contradizer a l\u00f3gica eco\u00adn\u00f4mi\u00adca. O Walmart tornou-se o maior varejista do mundo porque seu fundador, Sam Walton, soube usar sua for\u00e7a na mesa de negocia\u00e7\u00e3o com os pro\u00adduto\u00adres. A competi\u00e7\u00e3o por pre\u00e7o baixo nos grandes varejistas americanos \u00e9 tida como uma das causas da manuten\u00e7\u00e3o da infla\u00ad\u00e7\u00e3o em n\u00edveis baixos desde os anos 90.<br \/>\nMas, por estarem longe dos hipermercados, os moradores dos bairros mais pobres n\u00e3o se beneficiam desse fe\u00adn\u00f4meno. Isso \u00e9 verdade na capital chilena e tamb\u00e9m nas grandes metr\u00f3poles brasileiras. Segundo estimativa da empresa de pesquisa Nielsen, os pre\u00e7os cobrados em pequenos com\u00e9rcios no Brasil s\u00e3o, em geral, 10% mais altos.<br \/>\n\u201cOs donos de armaz\u00e9m n\u00e3o negociam com grandes fa\u00adbricantes. Eles costumam comprar suas mercadorias em atacadistas\u201d, afirma Andr\u00e9 Braz, coordenador adjunto do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas do Rio de Janeiro.<br \/>\nCiente disso, Moller planeja desembarcar com a Algramo por aqui. Neste ano, o plano \u00e9 ex\u00adpandir para outras cidades do Chile, al\u00e9m de Col\u00f4mbia e Peru. Para 2016, as metas s\u00e3o Brasil e M\u00e9xico.<br \/>\nO modelo de neg\u00f3cios \u00e9 interessante. O dono do armaz\u00e9m paga o equivalente a 90 reais mensais de aluguel pela m\u00e1quina e fica com 30% do valor da venda. \u201cHoje, a Algramo opera com o dinheiro dos investimentos, mas, a partir do momento em que tivermos 350 m\u00e1quinas, conseguiremos operar no azul\u201d, promete Moller. Atualmente, a empresa tem 200.<br \/>\nEm setembro, a Algramo passou pela primeira rodada de investimentos e recebeu 180\u2009000 d\u00f3lares. Para continuar a expans\u00e3o, o objetivo \u00e9 conseguir 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares numa nova rodada, ainda em 2015.<br \/>\nComo todo empreendedor de start\u00adup, Moller quer ir longe. \u201cVamos mudar o mercado tradicional de produtos b\u00e1sicos em escala global\u201d, afirma. As barreiras no caminho da empresa n\u00e3o s\u00e3o nada singelas. A primeira \u00e9 conseguir o dinheiro para a expans\u00e3o.<br \/>\nSe o crescimento em pa\u00edses maiores se materializar, os custos de distribui\u00e7\u00e3o dever\u00e3o aumentar. Isso sem contar que grandes varejistas podem come\u00e7ar a explorar esse mercado. Mas nada tem tirado o sono de Moller. H\u00e1 quatro anos, ele chegou a La Granja sem nada. Hoje, tem um grande sonho.<br \/>\n<small><em>Fonte: <a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/\" target=\"_blank\">Revista Exame<\/a><\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2011, o chileno Jos\u00e9 Manuel Moller, ent\u00e3o com 22 anos, estudava administra\u00e7\u00e3o em uma universi\u00addade de Santiago, capital do Chile, quando decidiu, junto com quatro amigos, mudar-se para La Granja, um bairro pobre na regi\u00e3o metropolitana da cidade. 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