{"id":8988,"date":"2015-01-31T12:27:06","date_gmt":"2015-01-31T14:27:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=8988"},"modified":"2018-08-27T09:55:41","modified_gmt":"2018-08-27T12:55:41","slug":"como-conquistar-clientes-nas-favelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/como-conquistar-clientes-nas-favelas\/","title":{"rendered":"Como conquistar clientes nas Favelas"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou em vender o seu produto para os moradores das favelas? Se ainda lhe faltam motivos para enxerg\u00e1-los como consumidores de peso, a\u00ed v\u00e3o alguns n\u00fameros. Em 2013, eles movimentaram R$ 63,3 bilh\u00f5es, metade deles possui emprego formal (51%) e a renda m\u00e9dia nas comunidades brasileiras \u00e9 de R$ 965. Al\u00e9m disso, cerca de 3 milh\u00f5es t\u00eam cart\u00e3o de cr\u00e9dito, sendo que mais da metade (59%) afirma j\u00e1 ter emprestado o cart\u00e3o para algu\u00e9m usar.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/como-conquistar-clientes-nas-favelas.jpg\" alt=\"como-conquistar-clientes-nas-favelas\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignright size-full wp-image-8989\" \/><br \/>\nOs dados s\u00e3o resultado da pesquisa Radiografia das Favelas Brasileiras, o maior estudo j\u00e1 realizado sobre as favelas no pa\u00eds, feito por Renato Meirelles, presidente do Data Popular, e Celso Athayde, presidente da Favela Holding e criador da Central \u00danica das Favelas (CUFA). O trabalho virou um livro, que ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo dia 7, na Livraria da Vila, no Shopping JK, em S\u00e3o Paulo.<br \/>\nEm entrevista \u00e0 \u00c9poca NEG\u00d3CIOS, Meirelles contou como foi percorrer as principais favelas do Brasil e revelou o perfil do morador dessas comunidades \u2013 como consumidor, trabalhador e empreendedor. &#8220;Se o emprego formal fez a favela chegar onde chegou, \u00e9 o empreendedorismo que vai fazer a favela ir adiante&#8221;, ele diz.<br \/>\n<strong>Como e quando surgiu a ideia do livro?<\/strong><br \/>\nA ideia de fazer o livro surgiu em fevereiro do ano passado junto com a ideia de criar um instituto de pesquisa focado em favelas [o Data Favela, uma sociedade entre Meirelles e Athayde]. Quando eu conheci o Celso Athayde, que escreveu o livro comigo, n\u00f3s pensamos em criar o instituto, mas a favela precisava ser protagonista disso. N\u00e3o quer\u00edamos um monte de gente do asfalto discutindo a favela. A nossa ideia era favela e asfalto juntos tentando entender o fen\u00f4meno de transforma\u00e7\u00e3o que acontece dentro da comunidade.<br \/>\n<strong>Com a ideia na cabe\u00e7a, quais foram os primeiros passos?<\/strong><br \/>\nA primeira coisa que a gente fez foi levantar os grandes n\u00fameros sobre favelas no Brasil. N\u00f3s chamamos esse estudo de Radiografia das Favelas Brasileiras. N\u00f3s descobrimos que existem mais de 12 milh\u00f5es de pessoas que moram nas favelas, que ano passado movimentaram R$ 63,3 bilh\u00f5es. Se existisse um Estado chamado Favela Brasileira, ele seria o quinto maior do Brasil. Ia ter mais favelado que ga\u00facho no pa\u00eds. Depois, n\u00f3s decidimos fazer e lan\u00e7ar o estudo em grande estilo, exatamente para construir pontes entre o asfalto e a favela. O que n\u00f3s fizemos? N\u00f3s alugamos o Copacabana Palace para o lan\u00e7amento do estudo, em 4 de novembro de 2013. Foi um dia inteiro de muito debate e discuss\u00e3o. Com o resultado da pesquisa e com o conte\u00fado dos debates, n\u00f3s escrevemos o livro Um Pa\u00eds Chamado Favela.<br \/>\n<strong>Qual foi a metodologia escolhida para o estudo?<\/strong><br \/>\nFoi quantitativa e qualitativa. Do ponto de vista da metodologia quantitativa, n\u00f3s estivemos em 63 favelas em todo o Brasil. N\u00f3s ouvimos dois mil moradores de favelas. Para a metodologia qualitativa, n\u00f3s passamos um tempo morando na comunidade para saber o que as pessoas falam sobre o que est\u00e1 por tr\u00e1s dos n\u00fameros. Para entender as pequenas nuances do que \u00e9 a vida em comunidade.<br \/>\n<strong>Quantas pessoas estavam envolvidas no projeto inteiro?<\/strong><br \/>\nMais de cem pessoas.<br \/>\n<strong>Qual \u00e9 o perfil das pessoas que moram nas favelas brasileiras?<\/strong><br \/>\nDo ponto de vista s\u00f3ciodemogr\u00e1fico, n\u00f3s encontramos nas favelas 65% de negros, o que representa uma porcentagem maior do que a da popula\u00e7\u00e3o brasileira (52%). Encontramos uma popula\u00e7\u00e3o quatro anos mais jovem do que a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o e um n\u00famero maior de mulheres chefiando fam\u00edlias. \u00c9 impressionante o protagonismo que a mulher tem dentro da favela e muitas vezes isso n\u00e3o \u00e9 visto pelo grande p\u00fablico. A gente tem uma mulher que trabalha mais do que a mulher que est\u00e1 no asfalto, que come\u00e7ou a ganhar a pr\u00f3pria renda e colocou o marido para passear falando que n\u00e3o aguenta mais sustentar vagabundo. A mulher \u00e9 definitivamente a grande refer\u00eancia nas fam\u00edlias das favelas.<br \/>\nDo ponto de vista do comportamento, n\u00f3s encontramos um n\u00famero grande de pessoas que tinham tudo para n\u00e3o ser felizes, mas s\u00e3o. 94% dos moradores de favelas s\u00e3o felizes e dois ter\u00e7os dos moradores n\u00e3o sairiam da favela nem se os seus sal\u00e1rios dobrassem. Por duas raz\u00f5es: uma econ\u00f4mica e uma social. A raz\u00e3o econ\u00f4mica tem haver com o ecossistema criado dentro da favela no qual todo mundo ajuda todo mundo. Na favela, eles podem comprar fiado na padaria e pagar s\u00f3 no final do m\u00eas, por exemplo. Quando um morador sai para trabalhar, pode deixar o filho com o vizinho. Eu pergunto para os leitores do site de \u00c9poca NEG\u00d3CIOS quantos poderiam deixar o filho com o vizinho. Na favela, eles rateiam o ponto de wi-fi. Esse ecossistema torna a vida l\u00e1 mais barata.<br \/>\nO segundo motivo \u00e9 emocional: eles t\u00eam um lastro dentro da comunidade. L\u00e1, todo mundo se conhece. Mais de 70% dos moradores de favelas receberam o vizinho em casa na \u00faltima semana.<br \/>\n<strong>Nas favelas, 26% dos moradores t\u00eam contas atrasadas, dois em cada dez est\u00e3o com uma conta atrasada h\u00e1 mais de 30 dias e 23% possuem o nome sujo. Como voc\u00ea avalia a inadimpl\u00eancia nas comunidades?<\/strong><br \/>\nO que a gente v\u00ea \u00e9 que o cr\u00e9dito ainda \u00e9 muito baixo dentro da favela, porque a bancariza\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 muito baixa. As institui\u00e7\u00f5es financeiras t\u00eam dificuldade em dar cr\u00e9dito aos moradores de favela. Ent\u00e3o, se ele n\u00e3o tem cr\u00e9dito, ele n\u00e3o consegue ter muita conta e com isso ele passa a ter que pagar as suas contas mais \u00e0 vista. Eles possuem cart\u00f5es de cr\u00e9dito, mas em um n\u00edvel proporcionalmente bem mais baixo do que no asfalto.<br \/>\n<strong>Ao fazer o livro, quais foram os dados e hist\u00f3rias mais interessantes que voc\u00eas encontraram?<\/strong><br \/>\nO dado da felicidade e o de n\u00e3o ter vontade de sair da favela s\u00e3o dados muito fortes. A dificuldade que eles t\u00eam de pagar contas dentro da favela tamb\u00e9m me impressionou. Por n\u00e3o ter banco dentro da favela, muitos deles precisam ir muito longe para pagar uma conta ou comprar um eletrodom\u00e9stico. N\u00e3o tem nada perto. Outra coisa que me chocou \u00e9 o quanto que eles admitem e contam hist\u00f3rias sobre o preconceito que o asfalto tem com a favela. O quanto que eles precisaram mentir o seu endere\u00e7o para se dar bem em uma entrevista de emprego ou abrir um credi\u00e1rio. O quanto que os jovens da favela tomam mais batidas policiais do que os jovens do asfalto.<br \/>\n<strong>Se eles n\u00e3o desejam abandonar a favela, quais s\u00e3o os seus maiores desejos?<\/strong><br \/>\nBoa parte dos desejos deles para o futuro tem rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o, seja a do filho ou a deles. Ou seja, o primeiro sonho deles \u00e9 relacionado a um servi\u00e7o e n\u00e3o a um produto. Um desejo interessante, que ficaria em segundo lugar na lista, \u00e9 a forma que os moradores da favela enxergam a tecnologia como um instrumento de ascens\u00e3o social.<br \/>\n<strong>Se o segundo maior desejo deles \u00e9 ter acesso a tecnologia, como s\u00e3o esses itens em suas casas? Voc\u00eas checaram se eles tinham aparelhos de DVD, computador, carro?<\/strong><br \/>\nSim, 86% possuem aparelhos de DVD, 56% possuem TV de tela fina, 54% possuem computador e 27% t\u00eam smartphone. Carro tem pouco \u2013 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os nas ruas.<br \/>\n<strong>Como \u00e9 o morador da favela como consumidor?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um consumidor mais cr\u00edtico, porque ele n\u00e3o pode errar. O custo do erro \u00e9 muito grande na favela. Ele prefere pagar um pouco mais em uma marca que ele j\u00e1 conhece e confie do que pagar por um produto vagabundo e baratinho.<br \/>\n<strong>Em sua opini\u00e3o, as empresas deveriam se preocupar mais com esse tipo de consumidor?<\/strong><br \/>\nSim. Eu n\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma. Para se ter uma no\u00e7\u00e3o, a favela consome mais do que o PIB da Bol\u00edvia ou que quase a soma do consumo da Bol\u00edvia e do Paraguai. \u00c9 um mercado perto de regi\u00e3o metropolitana, pr\u00f3ximo a zonas de distribui\u00e7\u00e3o, e que possui um consumidor que busca produtos de qualidade e que est\u00e1 ampliando o seu portf\u00f3lio de produtos.<br \/>\n<strong>Como as empresas devem se comunicar com os moradores das favelas? Se voc\u00ea pudesse dar dicas aos empres\u00e1rios, quais seriam?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, as empresas precisam entender que na favela ningu\u00e9m quer ser catequizado. As pessoas querem ser tratadas com respeito, de igual para igual. Tem que entender que nas favelas as pessoas querem ter produtos com melhor custo benef\u00edcio e, dependendo da categoria, elas buscam produtos de marca para reduzirem o preconceito que muitas vezes encontram no asfalto. \u200bRoupas de marca na favela t\u00eam o objetivo de diminuir o n\u00famero de vezes que eles sofrem batidas policias. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para ostentar.<br \/>\nA primeira dica \u00e9: trate com respeito. Em segundo lugar: nada de produto vagabundo e baratinho. E, por fim, entenda que na favela as pessoas compram pela rela\u00e7\u00e3o custo\/benef\u00edcio. Se tem uma coisa que a gente aprendeu \u00e9: produto vagabundo e baratinho n\u00e3o conquista os moradores da favela.<br \/>\n<strong>Voc\u00eas dizem que foi o aumento do emprego que mudou a favela. Como ela era antes e como ela \u00e9 agora?<\/strong><br \/>\nAntes a favela era apenas o territ\u00f3rio dos desbancarizados, dos trabalhadores informais, dos camel\u00f4s. Quando o mercado de trabalho cresceu efetivamente e o Brasil chegou ao pleno emprego, os moradores de favelas passaram a ser absorvidos pelos empregos formais. A escolaridade m\u00e9dia tamb\u00e9m cresceu. Eles foram os principais beneficiados do crescimento do Brasil nos \u00faltimos dez anos. A renda dos 25% mais ricos cresceu 12%, j\u00e1 dos 25% mais pobres cresceu 45%. Os historicamente mais pobres viram a sua renda crescer mais do que a do restante da popula\u00e7\u00e3o brasileira. A classe C, por exemplo, cresceu mais na favela do que no asfalto.<br \/>\n<strong>Como \u00e9 o morador da favela como trabalhador? Onde a maioria trabalha?<\/strong><br \/>\nUm conjunto grande de moradores ainda trabalha nas fun\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas. Mulheres como empregadas dom\u00e9sticas e homens na constru\u00e7\u00e3o civil. Na nossa pesquisa, n\u00f3s identificamos um crescimento gigantesco de cargos como telemarketing, vendedores de lojas, secret\u00e1rias e um sentimento crescente de empreendedorismo. Se o emprego formal fez a favela chegar onde chegou, \u00e9 o empreendedorismo que vai fazer a favela ir adiante.<br \/>\n<strong>Como eles empreendem?<\/strong><br \/>\nO empreendedorismo feminino cresce em duas vertentes. Elas cozinham para fora e criam seus pequenos buf\u00eas na comunidade ou abrem seus pr\u00f3prios sal\u00f5es de beleza. Para os homens, o empreendedorismo est\u00e1 relacionado ao com\u00e9rcio em geral, como padarias. A grande maioria tem seu neg\u00f3cio dentro da comunidade. 65% dos moradores querem empreender dentro da favela porque acreditam que a comunidade est\u00e1 crescendo mais que o asfalto. Isso \u00e9 fant\u00e1stico, porque voc\u00ea come\u00e7a a ter um dinheiro que fica circulando na pr\u00f3pria favela.<br \/>\n<strong>Eles t\u00eam acesso ao ensino superior?<\/strong><br \/>\nAinda muito pouco, mas isso tem crescido. O analfabetismo caiu pela metade nos \u00faltimos dez anos. O detalhe interessante \u00e9 que 73% dos jovens da favela estudaram mais que os seus pais. Essa nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais escolarizada.<br \/>\n<strong>Eles s\u00e3o classe C e D?<\/strong><br \/>\nHoje, 65% dos moradores de favelas pertencem \u00e0 classe m\u00e9dia, ou classe C. Em 2003, eles representavam 33%. Hoje, 3% da favela \u00e9 classe A e B, o restante \u00e9 D e E. As classes mais altas s\u00e3o os pequenos empreendedores da favela, que a renda foi crescendo e hoje ganham mais de R$ 20 mil. O neg\u00f3cio deles foi crescendo junto com a favela.<br \/>\n<strong>Vi que a ideia de voc\u00eas era desmitificar os estere\u00f3tipos da favela, que sugerem apenas viol\u00eancia e drogas. Voc\u00eas tamb\u00e9m pesquisaram algo sobre a rela\u00e7\u00e3o deles com esses assuntos?<\/strong><br \/>\nSim, as pessoas dizem que as dificuldades ligadas \u00e0s drogas e \u00e0 viol\u00eancia dentro da favela est\u00e3o menores, mas ainda est\u00e3o presentes. 73% consideram a favela onde vivem violenta, mas 44% acham que ir\u00e1 ficar menos violenta no pr\u00f3ximo ano.<br \/>\n<strong>O que significa dizer que a din\u00e2mica econ\u00f4mica das favelas est\u00e1 em reconstru\u00e7\u00e3o, um conceito que voc\u00eas defendem no livro?<\/strong><br \/>\n\u00c9 essa vontade de empreender dentro da favela. Essa vontade de ter, em paralelo ao emprego formal, o neg\u00f3cio pr\u00f3prio. Essa gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 mais escolarizada do que os pais. Tudo isso faz com que a comunidade tenha uma perspectiva de crescimento econ\u00f4mico muito maior do que no passado.<br \/>\n<strong>O Celso Athayde afirmou que uma das percep\u00e7\u00f5es que voc\u00eas tiveram era a de que os moradores das favelas estavam otimistas, devido ao aumento da renda e da gera\u00e7\u00e3o de emprego. Com a economia brasileira crescendo menos, voc\u00ea acredita que esse otimismo pode mudar?<\/strong><br \/>\nOlha, n\u00f3s realmente estamos em um momento em que a economia est\u00e1 crescendo menos do que estava no passado, mas o pouco que cresce, cresce nas classes C e D. Essas classes est\u00e3o mais blindadas. 25% dos moradores de favelas recebem o Bolsa Fam\u00edlia, por exemplo, ent\u00e3o eles possuem uma renda fixa de algum jeito.<br \/>\n<small><em>Fonte: <a href=\"http:\/\/epocanegocios.globo.com\/Inspiracao\/Empresa\/noticia\/2014\/08\/produto-baratinho-nao-conquista-favela.htmlhttp:\/\/epocanegocios.globo.com\/Inspiracao\/Empresa\/noticia\/2014\/08\/produto-baratinho-nao-conquista-favela.html\" target=\"_blank\">\u00c9poca Neg\u00f3cios<\/a><\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou em vender o seu produto para os moradores das favelas? Se ainda lhe faltam motivos para enxerg\u00e1-los como consumidores de peso, a\u00ed v\u00e3o alguns n\u00fameros. Em 2013, eles movimentaram R$ 63,3 bilh\u00f5es, metade deles possui emprego formal (51%) e a renda m\u00e9dia nas comunidades brasileiras \u00e9 de R$ 965. 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