{"id":8980,"date":"2015-01-31T11:16:32","date_gmt":"2015-01-31T13:16:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=8980"},"modified":"2015-01-31T11:16:32","modified_gmt":"2015-01-31T13:16:32","slug":"como-lidar-com-os-diversos-temperamentos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/como-lidar-com-os-diversos-temperamentos-humanos\/","title":{"rendered":"Como Lidar com os Diversos Temperamentos Humanos"},"content":{"rendered":"<p>A maioria dos l\u00edderes, nas grandes organiza\u00e7\u00f5es, tem contato com v\u00e1rias \u201ctipologias\u201d e metodologias de assessment de pessoas, por meio dos treinamentos providos pelas \u00e1reas de RH. Mas, talvez, o modelo mais cl\u00e1ssico e antigo \u00e9 o dos temperamentos humanos, usado desde a antiguidade, por Galeno e Emp\u00e9docles.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/temperamento-humano-como-lidar.jpg\" alt=\"temperamento-humano-como-lidar\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignright size-full wp-image-8981\" \/><br \/>\nNo come\u00e7o do s\u00e9culo XX, Rudolf Steiner, e outros pesquisadores revitalizaram o conceito e encontraram uma s\u00e9rie de aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas.<br \/>\nSe voc\u00ea est\u00e1 no papel de liderar pessoas pode ser extremamente \u00fatil identificar esses temperamentos em si mesmo e nos seus liderados. \u00c9 razoavelmente simples a identifica\u00e7\u00e3o do arqu\u00e9tipo e essa se d\u00e1 a partir da observa\u00e7\u00e3o do dia a dia.<br \/>\nNa vis\u00e3o da antroposofia, temos quatro n\u00edveis ou dimens\u00f5es do ser humano.<br \/>\nNo n\u00edvel f\u00edsico temos aquilo que h\u00e1 de mais concreto no ser humano: seus minerais, carne, ossos e m\u00fasculos. Para efeito did\u00e1tico, imagine um cad\u00e1ver, inerte, frio, completamente sob a a\u00e7\u00e3o da gravidade e do tempo. Passado algum tempo s\u00f3 restar\u00e1 aquilo que temos de mais mineral: os ossos. O \u00fanico processo presente \u00e9 a entropia. \u201cDo p\u00f3 vieste, ao p\u00f3 voltar\u00e1s\u201d.<br \/>\nContinuando com nossa imagem, em vez de um cad\u00e1ver, agora imagine um ser humano dormindo. O que mudou? H\u00e1 vida, movimento (pouco), processos acontecendo, respira\u00e7\u00e3o, crescimento, etc. Podemos medir os sinais vitais.<br \/>\nA este estado podemos dizer que acrescentamos o corpo ou o n\u00edvel vital. Assim como uma planta se diferencia de uma rocha, este estado se diferencia do anterior. Se extrairmos este n\u00edvel, os minerais que estavam coesos se desfariam. \u00c9 este n\u00edvel que mant\u00e9m os minerais coesos e os processos vitais internos funcionando. \u00c9 ele que plasma e d\u00e1 forma ao corpo f\u00edsico.<br \/>\nAgora, o ser humano que estava dormindo, acorda! O que ele ganha? Consci\u00eancia, sentimentos, instintos, emo\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos, etc. Este estado que chamamos de an\u00edmico (de alma, \u201canima\u201d do latim, \u00e2nimo, animado), est\u00e1 t\u00e3o distante do anterior, quanto os animais est\u00e3o das plantas. E se pedirmos para este ser humano nos contar sua biografia, veremos que ele tem sonhos, valores, ideais, que ele \u00e9 \u00fanico e singular. O que os gregos antigos chamavam de Eu e j\u00e1 n\u00e3o encontramos similar na natureza.<br \/>\nNestes quatro n\u00edveis de ser humano vamos olhar com mais cuidado os dois primeiros.<br \/>\nVoltemos ao n\u00edvel f\u00edsico. Neste existem tr\u00eas tipos b\u00e1sicos: o neurossensorial, o r\u00edtmico e o metab\u00f3lico. Ou se voc\u00ea preferir, os tipos p\u00edcnico, atl\u00e9tico e o leptoss\u00f4mico (esquizoide).<br \/>\nPara o tipo p\u00edcnico, imagine o nosso ex-presidente Lula, baixo, atarracado, pesco\u00e7o curto. Para o tipo esquizoide (leptoss\u00f4mico), o nosso ex-vice-presidente, o Marco Maciel, ou o chefe do Homer Simpson (Sr. Burns), magros, altos, de pesco\u00e7o longo, cabe\u00e7a grande. Se tiv\u00e9ssemos uma r\u00e9gua entre os dois, o atl\u00e9tico ficaria bem no meio. Para que serve isso? O conceito tem sua utilidade em fisioterapia, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, ergonomia, etc.<br \/>\nPor\u00e9m o mais importante \u00e9 que n\u00e3o temos poder de a\u00e7\u00e3o sobre esta constitui\u00e7\u00e3o. Nossa estrutura \u00f3ssea, por exemplo, para todos os efeitos pr\u00e1ticos, n\u00e3o muda. Nem h\u00e1 muitas maneiras de se ficar mais pesco\u00e7udo ou cabe\u00e7udo.<br \/>\nJ\u00e1 no n\u00edvel vital \u00e9 onde se manifestam os temperamentos.<br \/>\nA palavra temperamento, por si s\u00f3, j\u00e1 nos d\u00e1 uma ideia do seu significado. Ela remete a tempero. Algo que d\u00e1 um gosto, um sabor peculiar \u00e0 comida.<br \/>\nQuando perguntei a engenheiros de uma usina sider\u00fargica o que a palavra temperamento os lembrava, eles disseram \u201ct\u00eampera\u201d. Processo que tamb\u00e9m d\u00e1 qualidade espec\u00edfica ao a\u00e7o, a partir da quantidade de oxig\u00eanio que se usa na sua fabrica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs temperamentos tamb\u00e9m s\u00e3o \u201cqualidades\u201d caracter\u00edsticas que se sobrep\u00f5em ao ser humano. Estas \u201cqualidades\u201d est\u00e3o intrinsecamente ligadas ao corpo vital, que \u00e9 a pr\u00f3pria energia de vida de cada um de n\u00f3s. Que d\u00e1 forma ao nosso corpo. Que rege nossos impulsos mais viscerais e profundos. E s\u00e3o quatro os temperamentos humanos b\u00e1sicos.<br \/>\nNo n\u00edvel an\u00edmico e do Eu tamb\u00e9m temos outras qualidades que ajudam a equilibrar esta for\u00e7a mais \u201cprimitiva\u201d e clara dos temperamentos. N\u00e3o vamos falar delas neste momento.<br \/>\nOs temperamentos s\u00e3o viscerais e, por isso, temos pouco controle sobre eles. O Eu consciente pouco pode fazer com esta energia, mas pode controlar e educar suas manifesta\u00e7\u00f5es e comportamentos observ\u00e1veis.<br \/>\nAo longo da vida mudamos pouco os nossos temperamentos, mudamos sim a forma como eles se manifestam atrav\u00e9s da autoeduca\u00e7\u00e3o. Mas a vontade, o impulso, ainda est\u00e3o ali, dentro de n\u00f3s.<br \/>\nTodos n\u00f3s temos os quatro temperamentos. Olhe para os dedos de sua m\u00e3o. Assim como eles, temos um temperamento que \u00e9 mais intenso, outro um pouco menos, outro menos ainda, e, um quarto quase inexistente. Estes se interagem e se complementam.<br \/>\nEstes quatro temperamentos est\u00e3o representados, arquetipicamente, tamb\u00e9m nas quatro esta\u00e7\u00f5es do ano, nos quatro pontos cardeais, nos quatro elementos, nas quatro esta\u00e7\u00f5es da lua, etc.<br \/>\nVamos v\u00ea-los, inicialmente, na sua forma pura (que n\u00e3o existe na realidade, \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o).<br \/>\nVamos come\u00e7ar pelo Temperamento:<br \/>\n<strong> &#8211; Col\u00e9rico:<\/strong><br \/>\nNosso \u201camigo\u201d col\u00e9rico vive na a\u00e7\u00e3o. Ele quer realizar, atingir seu objetivo. Faz de si mesmo a imagem do her\u00f3i. Se voc\u00ea pede para ele te contar o que aconteceu no fim de semana, ele vai contar a hist\u00f3ria de um problema que resolveu, ou um desafio que venceu.<br \/>\nFisicamente ele tem duas caracter\u00edsticas bem marcantes. Os olhos cheios de fogo (fogo \u00e9 seu elemento) fa\u00edscam quando contrariados e um andar de passos firmes; costuma bater seu calcanhar no ch\u00e3o. Na praia \u00e9 f\u00e1cil identific\u00e1-lo. Ele vai caminhando e deixando as marcas de seus calcanhares. O tipo puro, se existisse, seria um baixinho \u201cinvocado\u201d.<br \/>\nTronco grande para o tamanho das pernas, ombros largos, pesco\u00e7o curto, testa alta. Vai em dire\u00e7\u00e3o ao seu objetivo sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o ao que acontece ao redor.<br \/>\nVamos encontrar grandes l\u00edderes na hist\u00f3ria com este perfil col\u00e9rico. Napole\u00e3o talvez seja o tipo mais conhecido. \u00c9 poss\u00edvel ver sua c\u00f3lera saindo pelos olhos.<br \/>\nComo todo bom col\u00e9rico, conheceu a derrota pelo excesso de confian\u00e7a e por n\u00e3o ouvir as pessoas. Apesar de todos os conselhos contr\u00e1rios, invade a R\u00fassia com 800 mil soldados da Grande Arm\u00e9e. E, derrotado, retorna a Paris com apenas 35 mil. Perde o trono e a liberdade ao se propor uma tarefa que estava al\u00e9m do seu limite e ao da Fran\u00e7a.<br \/>\nNa pol\u00edtica brasileira, a presidenta Dilma e o ex-presidente Fernando Collor s\u00e3o bons exemplos de col\u00e9ricos.<br \/>\nNas organiza\u00e7\u00f5es encontramos muitos col\u00e9ricos em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a. J\u00e1 que eles decidem, v\u00e3o sendo promovidos at\u00e9 atingirem seu n\u00edvel de incompet\u00eancia.<br \/>\nOs col\u00e9ricos s\u00e3o capazes de ter uma grande discuss\u00e3o com voc\u00ea. Aos berros insulta e, depois, no momento seguinte, te trata como se nada tivesse acontecido. E para eles nada aconteceu mesmo.<br \/>\nComo lidar com col\u00e9ricos? Algumas dicas:<br \/>\nN\u00e3o abaixe o olhar para ele. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil com aqueles olhos fuzilantes. Mas se voc\u00ea o fizer, ele pode perder o respeito por voc\u00ea.<br \/>\nEnfrente-o, mas sem brigar. Olhe nos olhos dele, coloque seus pontos de vista calmamente e com firmeza. Fale num tom um pouco mais baixo que o dele. Se n\u00e3o, ele vai subir o tom e logo voc\u00eas estar\u00e3o gritando.<br \/>\nN\u00e3o tenha medo do chilique que ele possa dar. Ele esquece rapidamente e o mais prov\u00e1vel \u00e9 que ele passe a respeit\u00e1-lo mais. E se n\u00e3o mudar de opini\u00e3o na hora, ele mudar\u00e1 depois, quando se acalmar.<br \/>\nCerta vez, uma multinacional me chamou para conduzir um team building com um grupo de RH. Cheguei para a primeira reuni\u00e3o e l\u00e1 estavam o diretor e o gerente de RH. O diretor disse que a \u00e1rea de RH estava com alguns pequenos problemas de clima, conforme pesquisa realizada pela empresa. Pedi para olhar a pesquisa e era uma \u201ctrag\u00e9dia\u201d; a \u00e1rea era a pior avaliada na organiza\u00e7\u00e3o. O gerente de RH disse que, al\u00e9m de trabalhar a pesquisa, gostaria de fazer o planejamento estrat\u00e9gico da \u00e1rea (tudo em um dia). Disse que achava dif\u00edcil trabalharmos os dois temas num mesmo dia, e que precisava fazer algumas entrevistas de diagn\u00f3stico para desenhar o programa. Ele concordou e, no dia seguinte, l\u00e1 estava numa sala, a minha primeira entrevistada.<br \/>\nCome\u00e7o a conversa com a mo\u00e7a, contando os objetivos da entrevista, garantindo a confidencialidade. E, na primeira pergunta, a mo\u00e7a come\u00e7a a chorar: \u201cEu n\u00e3o aguento mais trabalhar aqui. Ele humilha a gente em p\u00fablico. Se voc\u00ea faz hora extra, ele diz que estamos roubando a empresa\u201d. Ela descreve uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es do mesmo tipo.<br \/>\nVem minha segunda entrevistada e a hist\u00f3ria se repete. Chega um terceiro caso, um homem, que se senta e, sem nem dizer nada, j\u00e1 come\u00e7a a chorar. E contou a mesma hist\u00f3ria.<br \/>\nLiguei para o diretor e contei para ele o qu\u00e3o grave era a situa\u00e7\u00e3o, que talvez n\u00e3o fosse caso para team building. Ele me disse: \u201cN\u00e3o Jaime, ele est\u00e1 h\u00e1 muito tempo com a gente, precisamos tentar recuper\u00e1-lo\u201d, etc. e tal.<br \/>\nAlguns dias depois, o gerente compareceu para a reuni\u00e3o de devolutiva das entrevistas e para a apresenta\u00e7\u00e3o do programa. Logo que entrei na sala, o diretor disse que n\u00e3o poderia participar e saiu fininho. E ficamos sozinhos, eu e nosso amigo col\u00e9rico. Propus que l\u00eassemos o relat\u00f3rio juntos. Eu havia levado a ess\u00eancia do que ouvi, sem identificar quem disse o qu\u00ea.<br \/>\nA cada frase que ele lia, mais vermelho e bravo ficava: \u201cOnde j\u00e1 se viu isso! Dizer que n\u00e3o valorizo as pessoas! Fulana entrou aqui como analista j\u00fanior, hoje \u00e9 supervisora. Beltrano, mandei para a Inglaterra para passar um ano num programa de treinamento. Sabe quantos aumentos de m\u00e9rito eu dei este ano?\u2026\u201d Tudo o que ele relatava era verdade. \u201cOs indicadores da minha \u00e1rea s\u00e3o os melhores da empresa\u2026\u201d.<br \/>\nDepois de umas duas horas de conversa, ele mostrava-se resistente e completamente avesso a assumir qualquer responsabilidade. Eu olhei bem nos olhos dele e calmamente disse: \u201cSabe qual \u00e9 o verdadeiro problema?\u201d. \u201cN\u00e3o\u201d, disse ele. \u201cO problema \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 capaz de mudar. Estes comportamentos aqui descritos, voc\u00ea sabe que n\u00e3o pode t\u00ea-los. N\u00e3o se trata das pessoas serem ingratas ou sens\u00edveis demais. Trata-se da sua falta de capacidade de mudar este estilo\u201d, completei. Fez-se um sil\u00eancio\u2026 E ele bateu com a m\u00e3o na mesa e disse: \u201cSe eu quiser, sou capaz sim! Por que voc\u00ea acha que n\u00e3o sou capaz?\u201d. E a conversa prosseguiu.<br \/>\nNa semana seguinte, na abertura do team building, ele abre os trabalhos dizendo: \u201cPessoal, tive uma conversa com o consultor depois das entrevistas. Passei aquela noite sem dormir, pensando na maneira como eu lidero voc\u00eas. Cheguei a uma conclus\u00e3o \u2013 preciso mudar! E preciso da ajuda de voc\u00eas para isto\u201d.<br \/>\nSeis meses depois, ao olhar as pesquisas de clima, o resultado da \u00e1rea de RH foi o melhor da empresa. Quando acontecia alguma coisa que n\u00e3o deveria, o gerente continuava sentindo vontade de enforcar um? Sim, o temperamento continuava l\u00e1, mas ele n\u00e3o fazia nada no momento. No outro dia, chamava a pessoa para conversarem sozinhos, em vez de dar uma bronca em p\u00fablico e no calor do momento.<br \/>\nCol\u00e9ricos s\u00e3o movidos a desafios. Se voc\u00ea fizer com que esta energia se volte para o autodesenvolvimento, s\u00e3o capazes de mudan\u00e7as profundas. Portanto, se quiser motivar um col\u00e9rico, desafie-o. Outra coisa \u00e9 dar-lhe tarefas que estejam um pouco al\u00e9m das suas capacidades, para que ele desbaste suas garras e descubra que precisa de ajuda.<br \/>\n<strong>&#8211; Sangu\u00edneo:<\/strong><br \/>\nSeu elemento \u00e9 o ar. Andar saltitante, leve. Olhos vivos, interessados, com um rosto muito expressivo. Extrovertido, vive fora de si. Suas qualidades s\u00e3o agilidade, flexibilidade, inova\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea lhe pede uma ideia, ele lhe d\u00e1 cinco. \u00c9 aquele tipo que l\u00ea a orelha de um livro e sai dando palestra. Inteligentes, r\u00e1pidos, conhecem todo mundo, s\u00e3o amigos de todos. Dif\u00edcil conflitar com eles; s\u00e3o muito escorregadios.<br \/>\nDistra\u00eddos, cheios de interesses dos mais variados. Nossa sociedade hoje \u00e9 muito sangu\u00ednea, por isso \u00e9 t\u00e3o valorizada. Faz v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo. \u00c9 a \u00faltima a chegar na reuni\u00e3o e a primeira a sair. Uma boa imagem do tipo sangu\u00edneo \u00e9 o estere\u00f3tipo do brasileiro: amig\u00e1vel, criativo, flex\u00edvel, festeiro, d\u00e1 um jeitinho em tudo. Deixa tudo para \u00faltima hora, n\u00e3o planeja.<br \/>\nEu estava em um hotel resort em Santa Catarina e li, em uma revista, algumas dicas para estrangeiros no Brasil: N\u00e3o chegue no hor\u00e1rio no Brasil, n\u00e3o \u00e9 de bom tom, chegue cinco minutos atrasado, no m\u00ednimo. N\u00f3s podemos ficar bravos com este estere\u00f3tipo, mas n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o lig\u00e1-lo \u00e0 nossa realidade. Se seu amigo marca uma festa \u00e0s 8 horas da noite, na casa dele, e voc\u00ea chegar exatamente \u00e0s 8, corre o risco de encontr\u00e1-lo de roup\u00e3o.<br \/>\nAs obras de mobilidade urbana n\u00e3o ficaram prontas para a Copa. N\u00e3o tem problema, decretamos feriado no dia!<br \/>\nNa pol\u00edtica brasileira, Lula \u00e9 o presidente mais popular da hist\u00f3ria do pa\u00eds, ele tem muito de sangu\u00edneo.<br \/>\nO PAC 1 emperra, a gente lan\u00e7a o PAC 2. Os companheiros Netanyahu e Ahmadinejad est\u00e3o em conflito, a gente vai l\u00e1 e faz um acordo. \u00c9 igual no sindicato em S\u00e3o Bernardo. Se n\u00e3o h\u00e1 sangu\u00edneos na sua equipe, n\u00e3o se tem inova\u00e7\u00e3o, bom humor, leveza. Se voc\u00ea n\u00e3o tem \u201csanguinidade\u201d, n\u00e3o gosta de mudan\u00e7as, de fazer diferente, de conhecer pessoas.<br \/>\nComo lidar com este tipo?<br \/>\nA princ\u00edpio n\u00e3o d\u00ea tarefas de longo prazo e s\u00f3 fa\u00e7a follow-up no final. \u00c9 prov\u00e1vel que ele n\u00e3o tenha feito o que voc\u00ea pediu e ainda te conven\u00e7a de que o que ele fez no lugar foi muito melhor.<br \/>\nD\u00ea-lhe atividades diferentes, liberdade para inovar. Procure conhec\u00ea-lo muito bem em termos pessoais. Quando voc\u00ea atravessa essa primeira capa de superficialidade e faz um contato mais profundo, perceber\u00e1 que eles s\u00e3o capazes de desenvolver admira\u00e7\u00e3o genu\u00edna pelas pessoas.<br \/>\n<strong>&#8211; Fleum\u00e1tico:<\/strong><br \/>\nQual o povo famoso no mundo pela fleuma? O ingl\u00eas. A fleuma brit\u00e2nica \u00e9 lend\u00e1ria!<br \/>\nH\u00e1 um filme de 1964, chamado \u201cZulu\u201d, que retrata um epis\u00f3dio real do s\u00e9culo XIX. Nele, um forte ingl\u00eas \u00e9 cercado por milhares de guerreiros zulus que atacam com f\u00faria devastadora. E os soldados ingleses, organizados em diversas linhas com profundidades diferentes, v\u00e3o atirando, um ap\u00f3s o outro, no mesmo ritmo. Enquanto um atira, o outro carrega as armas. Metodicamente, por horas a fio. A \u00fanica coisa que os faz parar? Hora do ch\u00e1! Algumas linhas, organizadamente, sem pressa, tomam seu ch\u00e1, enquanto os outros continuam com seu trabalho. At\u00e9 todo o ex\u00e9rcito Zulu estar morto. Isto \u00e9 fleuma!<br \/>\nEm Londres, no dia seguinte \u00e0s explos\u00f5es terroristas de 7 de julho de 2005, todas as esta\u00e7\u00f5es estavam funcionando. As pessoas iam calmamente para seu trabalho. J\u00e1 imaginou a seguinte cena aqui no Brasil ou na It\u00e1lia: A orquestra do Titanic tocando suas m\u00fasicas, enquanto o navio afunda?<br \/>\nA fleuma brit\u00e2nica derrotou Hitler, que fez com que a for\u00e7a a\u00e9rea alem\u00e3 atacasse a popula\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, esperando que ela ficasse aterrorizada. E \u00e9 claro, apesar do bombardeio, continuou seguindo sua rotina normalmente.<br \/>\nPessoas fleum\u00e1ticas ou que t\u00eam fleuma possuem um andar pesado e ritmado. Olhos amig\u00e1veis, cara simp\u00e1tica. Tendem mais para o sobrepeso. Seu lema \u00e9 \u201cdevagar e sempre\u201d. A\u00ed est\u00e1 sua for\u00e7a. S\u00e3o capazes de manter um esfor\u00e7o constante, por um longo tempo. Geram resultados s\u00f3lidos e consistentes. Diante das crises, mant\u00eam a calma e seguem o seu ritmo.<br \/>\nH\u00e1 grandes l\u00edderes da hist\u00f3ria com caracter\u00edsticas fleum\u00e1ticas. O Marqu\u00eas de Pombal \u00e9 um deles. Logo ap\u00f3s o terremoto de Lisboa, que matou um ter\u00e7o de toda a popula\u00e7\u00e3o lisboeta, correram ao marqu\u00eas e perguntaram: \u201cE agora?\u201d. Ao que ele respondeu calmamente: \u201cEnterraremos os mortos e cuidaremos dos vivos\u201d. Simples assim! Sobre Lu\u00eds XIV, o maior rei que a Fran\u00e7a j\u00e1 teve, dizem que era poss\u00edvel ajustar o rel\u00f3gio de acordo com o que ele estava fazendo. Seguia uma rotina incans\u00e1vel.<br \/>\nNa pol\u00edtica brasileira, o ex-presidente Fernando Henrique \u00e9 um bom exemplo de fleum\u00e1tico.<br \/>\nFleum\u00e1ticos s\u00e3o bons ouvintes, observadores, bem humorados e os ritmos do corpo s\u00e3o muito importantes para eles. Se quer deixar um fleum\u00e1tico irritado, basta atrasar o hor\u00e1rio de almo\u00e7o.<br \/>\nComo lidar com um fleum\u00e1tico?<br \/>\nA primeira dica \u00e9 n\u00e3o tentar aceler\u00e1-lo! \u00c9 contra produtivo. Ele vai se atrapalhar. D\u00ea uma tarefa com hor\u00e1rio pr\u00e9-determinado e de qualidade. No hor\u00e1rio combinado ela estar\u00e1 pronta. Se voc\u00ea ficar fazendo follow-up, ele vai se atrapalhar e n\u00e3o vai conseguir.<br \/>\nEles gostam de ritmo\/rituais, isto os fortalece. Marque reuni\u00f5es de monitoramento com anteced\u00eancia, tenha uma rotina com ele.<br \/>\nE cuidado! Fleum\u00e1ticos s\u00e3o muito calmos e tranquilos, mas a ira fleum\u00e1tica \u00e9 devastadora. Se voc\u00ea encher muito o \u201csaco\u201d dele, mas muito mesmo, corre o risco de ver uma explos\u00e3o descontrolada. Estes assassinatos que acontecem, em que o indiv\u00edduo mata, corta em pedacinhos, sai com o corpo numa mala, calmamente, e volta como se nada tivesse acontecido, geralmente foi um fleum\u00e1tico irado que cometeu.<br \/>\n<strong>&#8211; Melanc\u00f3lico:<\/strong><br \/>\nO elemento do melanc\u00f3lico \u00e9 a terra. Isto lhe d\u00e1 peso, densidade. O tipo puro (para efeito did\u00e1tico) teria ombros ca\u00eddos, andar arrastado, olhos tristes, apar\u00eancia envelhecida.<br \/>\nA grande qualidade do melanc\u00f3lico \u00e9 a profundidade. Enquanto nosso amigo sangu\u00edneo leu a orelha do livro para dar a palestra, este leu dez livros. Se for para falar por cinco minutos, ele est\u00e1 preparado para falar por horas.<br \/>\n\u00c9 pessimista, \u00f3timo para ver tudo que pode dar errado naquele projeto. \u00c9 muito cr\u00edtico consigo e, em consequ\u00eancia, com os outros e as coisas. Faz diagn\u00f3sticos como ningu\u00e9m, gosta de encontrar a causa raiz do problema.<br \/>\nN\u00e3o se contenta com os sintomas. \u00c9 capaz de grandes sacrif\u00edcios e dedica\u00e7\u00e3o a algu\u00e9m ou a uma causa.<br \/>\nTem poucos amigos, mas \u00e9 extremamente leal aos que tem e os mant\u00e9m por toda a vida.<br \/>\nA cultura japonesa tem fortes tra\u00e7os de melancolia. Pol\u00edtico japon\u00eas quando pego em corrup\u00e7\u00e3o, se mata. No Brasil, foge para Riviera com a amante e volta a ser candidato quando esquecerem o esc\u00e2ndalo.<br \/>\nNas fam\u00edlias japonesas, o filho mais velho se sacrifica para que os demais estudem. Da mesma forma, portugueses e argentinos t\u00eam muito desta qualidade melanc\u00f3lica.<br \/>\nComo melanc\u00f3licos famosos, temos Chopin e Madame Curie. A \u00fanica mulher a ganhar dois pr\u00eamios Nobel, Madame Curie continuou sua pesquisa com a radioatividade, mesmo sabendo que isso a estava matando.<br \/>\nQuando voc\u00ea passar mal, sozinho, naquele s\u00e1bado de madrugada, com seus c\u00e1lculos renais, vai precisar de ajuda. Voc\u00ea vai ligar para seu amigo col\u00e9rico e o telefone estar\u00e1 fora de \u00e1rea, j\u00e1 que ele foi acampar. Seu amigo sangu\u00edneo n\u00e3o vai entender o que voc\u00ea est\u00e1 falando, pois o som da casa noturna em que ele est\u00e1 \u00e9 muito alto. Seu amigo fleum\u00e1tico n\u00e3o vai acordar, est\u00e1 dormindo profundamente. Quem vai te levar para o hospital? Sim, \u00e9 ele, o leal melanc\u00f3lico. Apesar de reclamar um pouco no caminho.<br \/>\nL\u00edderes melanc\u00f3licos s\u00e3o \u00f3timos para nossa aprendizagem. Pegam todos os erros que cometemos nos nossos relat\u00f3rios. Para ele, o relat\u00f3rio sempre pode ser melhor. Se voc\u00ea for o liderado, uma dica, n\u00e3o d\u00ea \u201cchute\u201d nas respostas ou resultados. Se voc\u00ea n\u00e3o tiver consist\u00eancia no que diz, ele vai perder o respeito por voc\u00ea. Falar um n\u00famero hoje e outro amanh\u00e3 \u00e9 a morte.<br \/>\nN\u00e3o tente alegrar melanc\u00f3licos, eles n\u00e3o gostam. S\u00e3o movidos por sacrif\u00edcio e por dever. Convoque-o para algum sacrif\u00edcio e ele vai dar o melhor de si.<br \/>\nRetomemos agora o que foi abordado at\u00e9 aqui.<br \/>\nComo dito no in\u00edcio do artigo, os quatro arqu\u00e9tipos, na sua forma pura, n\u00e3o existem. Todos n\u00f3s temos os quatro temperamentos. Um mais preponderante, o outro um pouco menor, um terceiro menor ainda e o quarto residual.<br \/>\nS\u00e3o quatro for\u00e7as viscerais que adv\u00eam da nossa vontade. \u00c9 importante esclarecer que temperamentos n\u00e3o determinam comportamentos. Supomos que seu carro foi fechado enquanto dirigia; voc\u00ea saiu para tomar satisfa\u00e7\u00f5es e levou uma baita surra. Espera-se que, na pr\u00f3xima vez que for fechado, voc\u00ea n\u00e3o saia do carro, mas a vontade estar\u00e1 l\u00e1. A forma como o temperamento se expressa pode e deve ser educada ao longo da vida.<br \/>\nMas, ao conhecer melhor o seu temperamento, ser\u00e1 mais f\u00e1cil entender o seu padr\u00e3o de pensamento e de a\u00e7\u00e3o, mais prov\u00e1vel e\/ou natural, em determinadas situa\u00e7\u00f5es. Assim, voc\u00ea poder\u00e1 mudar o padr\u00e3o, de acordo com a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<br \/>\nO temperamento, em si, mudamos pouco ao longo da vida.<br \/>\nCrian\u00e7as tendem a ser mais sangu\u00edneas. Conte uma hist\u00f3ria para uma crian\u00e7a e observe o seu rosto se transformando a cada cena, preenchido de \u201csanguinidade\u201d.<br \/>\nAdolescentes tendem a ser mais col\u00e9ricos. Adultos, mais melanc\u00f3licos, e, idosos, fleum\u00e1ticos. Se voc\u00ea quiser provocar um motim no asilo, mude o hor\u00e1rio da refei\u00e7\u00e3o. Ou, chegue atrasado para a macarronada da nona no domingo.<br \/>\n\u00c0 medida que envelhecemos, vamos ganhando certo distanciamento das coisas. Mas, Rudolf Steiner resume bem o desafio que temos. Ele diz que, devemos estudar como um melanc\u00f3lico, nos interessar pelo mundo como um sangu\u00edneo, fazer as coisas como um col\u00e9rico, e, enfrentar as vicissitudes da vida como um fleum\u00e1tico.<br \/>\n<small><em>Fonte: Jaime Moggi, <a href=\"http:\/\/www.consultores.com.br\/artigos.asp?cod_artigo=1423\" target=\"_blank\">Consultores<\/a><\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos l\u00edderes, nas grandes organiza\u00e7\u00f5es, tem contato com v\u00e1rias \u201ctipologias\u201d e metodologias de assessment de pessoas, por meio dos treinamentos providos pelas \u00e1reas de RH. Mas, talvez, o modelo mais cl\u00e1ssico e antigo \u00e9 o dos temperamentos humanos, usado desde a antiguidade, por Galeno e Emp\u00e9docles. 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