{"id":7420,"date":"2014-05-27T21:36:46","date_gmt":"2014-05-28T00:36:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=7420"},"modified":"2018-08-27T09:56:29","modified_gmt":"2018-08-27T12:56:29","slug":"ex-menino-de-rua-cria-agencia-de-turismo-bilionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/ex-menino-de-rua-cria-agencia-de-turismo-bilionaria\/","title":{"rendered":"Ex-menino de rua cria ag\u00eancia de turismo bilion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Dono da Flytour, companhia de turismo com faturamento anual de R$ 4 bilh\u00f5es, Eloi de Oliveira fugiu de casa aos oito anos para escapar dos maus-tratos do cunhado alco\u00f3latra.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/eloi-oliveira-flytour.jpeg\" alt=\"eloi-oliveira-flytour\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignright size-full wp-image-7421\" \/><br \/>\nFoi menino de rua, dormiu em albergues e, com os dentes quebrados, teve dificuldades para arrumar um emprego at\u00e9 encontrar Stella Barros, que lhe deu uma oportunidade de trabalho e um sof\u00e1 para dormir na maior ag\u00eancia do pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca.<br \/>\nSou de uma fam\u00edlia pobre, de Esteio, no Rio Grande do Sul. Fui o 14\u00ba de 15 filhos. Quando minha m\u00e3e faleceu no parto do \u00faltimo, meu pai come\u00e7ou a dar as crian\u00e7as a amigos e parentes. Foi minha irm\u00e3, que tinha 14 anos e j\u00e1 era casada, quem me pegou e quis me criar, em Porto Alegre. Ela fazia past\u00e9is, e eu, um menino gago, vendia depois da escola.<br \/>\nHoje tenho uma empresa de turismo que fatura R$ 4 bilh\u00f5es por ano, com 2.700 funcion\u00e1rios e 220 escrit\u00f3rios. A Flytour tem 40 anos, sempre atendendo s\u00f3 clientes corporativos e ag\u00eancias. Mas daremos um novo passo neste ano. Entramos no varejo. Vamos vender lazer diretamente para a pessoa f\u00edsica. At\u00e9 2018, ser\u00e3o 426 novas lojas, principalmente em shoppings, para concorrer com CVC, Marsans e outros.<br \/>\nEu tinha oito anos quando fugi de casa pela primeira vez. O marido da minha irm\u00e3 bebia muito. Ele era agressivo e isso ficou insuport\u00e1vel. Escapei num dia em que ele me deu dinheiro e mandou ir buscar pinga.<br \/>\nFiquei no centro da cidade, at\u00e9 que o juizado de menores me prendeu. Ent\u00e3o eu tive que voltar a vender past\u00e9is. Mas, na primeira oportunidade, fugi de novo.<br \/>\nNas ruas, eu ouvia falar de S\u00e3o Paulo. Por isso resolvi pedir carona e viajar. Ia de cidade em cidade, mentindo que tinha uma tia na cidade seguinte. Na \u00e9poca era f\u00e1cil.<br \/>\nAssim cheguei \u00e0 pra\u00e7a da S\u00e9 e fiquei lavando carro at\u00e9 ser preso de novo pelo juizado e mandado de \u00f4nibus a Porto Alegre. Quando cheguei, entrei numa loja e inventei que era de S\u00e3o Paulo. Ajudaram-me com uma vaquinha e eu viajei de volta.<br \/>\nNuma dessas viagens, parei para trabalhar numa padaria. Por acidente, derrubei os p\u00e3es e o padeiro me xingou. Chamei-o de &#8220;corno&#8221;, ele me deu um soco na boca e perdi os dentes.<br \/>\nNa segunda vez em S\u00e3o Paulo, fui para a rodovi\u00e1ria. Tinha nove anos. Engraxei e vendi jornais, mas sentia medo de ser preso. Um dia, um senhor me viu e me levou para a casa dele, onde trabalhei areando panela e cuidando dos netos. Enquanto isso, arrumei tamb\u00e9m servi\u00e7o numa casa de malas.<br \/>\nFiquei assim at\u00e9 os 12 anos, quando decidi ir embora para o Rio com dois amigos adolescentes. Acho que trabalho no turismo porque viajar est\u00e1 no sangue. Toda crian\u00e7a nasce com um dom. Ent\u00e3o eu deixei o servi\u00e7o e a casa e fui fazer meus documentos num cart\u00f3rio no viaduto do Ch\u00e1. Senti como se eu tivesse voltado para a rua e pensei em me jogar do viaduto. Mas resisti. Consegui os documentos e viajamos.<br \/>\nPerto do Copacabana Palace, fui para o que sabia fazer bem: lavar e guardar carro. Sempre fui bom vendedor. Acabei fazendo amizade com um guia tur\u00edstico que me deixava cuidar das vans. Ele me ofereceu um emprego fixo na Stella Barros, que era a maior ag\u00eancia do pa\u00eds. Virei office boy. Naquela \u00e9poca, usavam muito boy, pois quem emitia a passagem era a companhia a\u00e9rea.<br \/>\nQuando soube que n\u00e3o tinha onde dormir, vov\u00f3 Stella me deixou usar o sof\u00e1 da empresa. Eu tinha que levantar antes que todos chegassem e s\u00f3 podia me deitar quando o \u00faltimo funcion\u00e1rio sa\u00edsse. O sofazinho eu mantenho at\u00e9 hoje, em todas as nossas ag\u00eancias, porque eu acho que quando voc\u00ea cresce tem que lembrar de onde veio. Humildade \u00e9 uma coisa que nunca quero perder, mesmo que eu ganhe muito dinheiro. Arrog\u00e2ncia \u00e9 ignor\u00e2ncia.<br \/>\nLembre-se que eu n\u00e3o tinha os dentes. \u00c9 dif\u00edcil achar emprego sem dente. Foi vov\u00f3 Stella que me levou na faculdade de odontologia e os alunos fizeram o tratamento. Ela tamb\u00e9m me ensinou a falar o portugu\u00eas correto.<br \/>\nN\u00e3o voltei \u00e0 escola, mas tenho uma cole\u00e7\u00e3o de 4.500 crach\u00e1s de congressos de que participo e palestras que dou. \u00c9 meu diploma, minha forma\u00e7\u00e3o. Enquanto fiquei no Rio, com frequ\u00eancia visitava minha irm\u00e3 no Sul. Passava em S\u00e3o Paulo, corria na rua Jos\u00e9 Paulino para comprar malhas e subia em outro \u00f4nibus para Porto Alegre, onde ganhava um dinheiro vendendo as roupas. Voc\u00ea nasce vendedor, mas, quando tem dificuldade, fica melhor.<br \/>\nNo Rio, fiquei at\u00e9 os 17 anos, quando minha irm\u00e3 se mudou para S\u00e3o Paulo com seis filhos. Resolvi ajud\u00e1-la. Consegui emprego no Bradesco e ficamos num corti\u00e7o na Barra Funda. Aos 20 anos, me casei e aluguei um apartamento no Copan. Hoje tenho minha esposa e quatro filhos. Mas come\u00e7amos do zero. Eu trabalhava no Bradesco, na LAP (Linhas A\u00e9reas Paraguaias) e na rodovi\u00e1ria, como fiscal de plataforma, at\u00e9 a meia-noite.<br \/>\nA\u00ed roubaram nosso fusquinha, perdi o emprego e meu sogro quis buscar minha mulher porque est\u00e1vamos em muita dificuldade. Mudamos para a casa dele e comecei tudo de novo, tr\u00eas empregos simult\u00e2neos. Hoje, tenho de novo um fusquinha preto, que uso para vir trabalhar.<br \/>\nQuando meu filho nasceu, eu j\u00e1 tinha alugado um apartamento e estava muito bem, como diretor de vendas na LAP, para onde tinha voltado. Infelizmente, a empresa teve nova crise e fui mandado embora mais uma vez. Neste pa\u00eds, quando voc\u00ea perde o emprego, perde a dignidade. Fiquei desesperado.<br \/>\nA\u00ed encontrei um hoteleiro, da Panamericana de hot\u00e9is, que me chamou para ser representante dele no Brasil. Ele me deu a oportunidade de abrir um escrit\u00f3rio pr\u00f3prio. Assim, em uma mesa emprestada dentro de um hotel, nasceu a EDO, que hoje \u00e9 a Flytour, em 1974. Empreender \u00e9 saber vender. Por isso eu coloco um V no meio da palavra: emprevendedor.<br \/>\n<small><em>Fonte: <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2014\/05\/1455919-minha-historia-ex-menino-de-rua-cria-agencia-de-turismo-bilionaria.shtml\" title=\"Fonte\" target=\"_blank\">Folha de S.Paulo<\/a><\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dono da Flytour, companhia de turismo com faturamento anual de R$ 4 bilh\u00f5es, Eloi de Oliveira fugiu de casa aos oito anos para escapar dos maus-tratos do cunhado alco\u00f3latra. 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