{"id":531,"date":"2013-06-07T17:11:14","date_gmt":"2013-06-07T20:11:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=531"},"modified":"2013-06-07T17:11:14","modified_gmt":"2013-06-07T20:11:14","slug":"o-lucro-em-segundo-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/o-lucro-em-segundo-lugar\/","title":{"rendered":"O lucro em segundo lugar"},"content":{"rendered":"<p><small>Por Conrado<\/small><br \/>\nAntes de ler esse post, deixe-me adverti-lo. \u00c9 um post grande, conceitual, reflexivo e n\u00e3o fala absolutamente nada sobre marketing digital. Belo incentivo, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Mas mesmo assim, acho que deveria l\u00ea-lo. O t\u00edtulo j\u00e1 diz que vou falar algo sobre lucro, mas n\u00e3o como ouvimos falar normalmente.<br \/>\nO artigo de Michael Porter da excelente revista HBR de janeiro de 2011come\u00e7a com a seguinte frase: \u201co sistema capitalista est\u00e1 sitiado\u201d. Cada pa\u00eds do mundo entende tal afirma\u00e7\u00e3o de maneiras bem diferentes. Para uma China, que descobriu o capitalismo nos \u00faltimos 30 anos, essa afirma\u00e7\u00e3o pode ser vista com descren\u00e7a, mas em uma Europa em crise, certamente n\u00e3o. A verdade \u00e9 que h\u00e1 algo errado em nosso sistema.<br \/>\nApostamos todas as nossas fichas na segrega\u00e7\u00e3o e no individualismo. O mito do self-made man continua fazendo muito sucesso nos pa\u00edses ocidentais. O viril her\u00f3i que vence os perigos da selva apenas com sua for\u00e7a de vontade e representa o ideal de muitos indiv\u00edduos padr\u00e3o. J\u00e1 em 1854, o escritor norte-americano Henry Thoureau preferiu que \u201ca maioria dos homens leva uma vida de um sereno desespero\u201d. Uma frase impactante para quem est\u00e1 nessa \u201cmaioria dos homens\u201d.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 de hoje que h\u00e1 algo que n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel \u2013 e n\u00e3o estou falando s\u00f3 de ecologia. O preceito do capitalismo no seu estado mais puro \u00e9 por o lucro em primeiro lugar, na frente das pessoas, ou seja, n\u00e3o interessa o quanto se explore um empregado, contanto que se consiga um equil\u00edbrio \u00f3timo entre o seu rendimento e o seu sal\u00e1rio, ou melhor, o quanto rende e o quanto custa um determinado recurso humano. A melhora nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho de uma equipe s\u00f3 \u00e9 implantada se a melhora no seu rendimento for maior do que o custo para tal.<br \/>\nO lucro puramente financeiro n\u00e3o leva em conta aspectos sociais, psicol\u00f3gicos e ambientais que permitem que as empresas existam e que o mercado compre. Gera um ciclo extrativista que consome mais r\u00e1pido do que rep\u00f5e. N\u00e3o \u00e9 preciso ser um g\u00eanio para entender que esse n\u00e3o \u00e9 um sistema que v\u00e1 durar muito tempo. O homem, acostumado com a rapidez que o mercado exige, n\u00e3o tem a acuidade visual para enxergar processos que gerem resultados somente a longo prazo, sejam eles bons ou ruins. Nossa percep\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a \u00e9 linear e tem dificuldade de enxergar as mudan\u00e7as a longo prazo.<br \/>\nRecomendei ler o artigo de Michael Porter (recomendo, mesmo) porque ele p\u00f5e em cheque toda a ideia de lucro que temos atualmente sob o qual nosso sistema sobrevive. Concordo com ele e tamb\u00e9m a ponho na berlinda. Ser\u00e1 que a busca incessante e unicamente pelo lucro financeiro \u00e9 a melhor sa\u00edda para nosso dia a dia?<br \/>\nA maioria das grandes corpora\u00e7\u00f5es acredita que sim.<br \/>\nParece, por\u00e9m, que h\u00e1 algumas pessoas pensando diferente. Exemplos como o do bilion\u00e1rio su\u00ed\u00e7o Stephan Schmidheiny inspira-nos a pensar diferente. Um homem que p\u00f4s o controle acion\u00e1rio de suas empresas nas m\u00e3os de uma funda\u00e7\u00e3o cujo objetivo \u00e9 fazer o bem com o dinheiro ganho pelas empresas do grupo. Uma mudan\u00e7a total e completa de paradigmas que nos faz pensar se o que a maioria dos homens, que vive em seu \u201csereno desespero\u201d para enriquecer meia d\u00fazia de outros, pertencentes a minoria \u2013 que vive muito bem, por sinal \u2013 vale realmente a pena.<br \/>\nDesenvolvi esse assunto no meu livro \u201cVoc\u00ea j\u00e1 tem um Plano B?\u201d em que questiono justamente o modelo atual e, por meio de um livro gratuito, tento subvert\u00ea-lo. Mostrar que existem vias alternativas e que pode-se fazer acontecer em uma rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatuo benef\u00edcio, o conhecido, mas n\u00e3o t\u00e3o praticado, ganha-ganha.<br \/>\nO lucro financeiro visto como o \u00fanico objetivo do neg\u00f3cio \u00e9 prejudicial a todos, inclusive ao neg\u00f3cio, pois nos p\u00f5e em uma perspectiva de curto prazo e isolada. Por mais que pensemos que vivemos nosso dia a dia de forma isolada, somos um sistema aberto, ou seja dependemos viceralmente dos outros e do ambiente que nos cerca. E com a conectividade que hoje governa, dependeremos cada vez mais. Prejudicar ao outro \u00e9 prejudicar a si mesmo.<br \/>\nO lucro que parece erigir em uma nova economia baseada no compartilhamento e na informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o lucro social. Aquele que, mesmo desconhecido da maioria das pessoas e empresas, \u00e9 o caminho mais certo para o financeiro, mas a m\u00e9dio prazo. A gan\u00e2ncia n\u00e3o nos deixa v\u00ea-lo pois \u00e9 muito mais sutil do que nossos bolsos \u00e1vidos pelo pr\u00f3ximo lan\u00e7amento de smartphone ou modelo de carro pode perceber. O lucro que constr\u00f3i a sociedade como um todo, n\u00e3o somente o indiv\u00edduo.<br \/>\nO individualismo como mola propulsora da economia parece uma f\u00f3rmula fadada ao fracasso e, a cada crise, a cada bolha, tem se mostrado um erro persistente comparado a uma droga: o prazer imediato em detrimento da destrui\u00e7\u00e3o irremedi\u00e1vel a longo prazo.<br \/>\nDistribuir conte\u00fado gratuitamente, que \u00e9 o que prego em cada um dos meus dias, \u00e9 uma boa maneira de gerar lucro social. Distribuir conte\u00fado gratuito \u00e9 doa\u00e7\u00e3o de tempo, que \u00e9 algo muito mais valioso do que dinheiro. Doar dinheiro, pode acreditar, \u00e9 f\u00e1cil. O lucro social tem mais a ver com o tempo das pessoas e muito menos com o dinheiro. Tem a ver com a reputa\u00e7\u00e3o e muito menos com o que se pode comprar. Tem a ver com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sustent\u00e1vel e muito menos com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade rica.<br \/>\nCostumo falar da diferen\u00e7a que a internet evidenciou entre o mercado social e o mercado econ\u00f4mico: o primeiro baseado em reputa\u00e7\u00e3o, o segundo baseado em dinheiro. Reputa\u00e7\u00e3o traz dinheiro, mas o contr\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 necessariamente verdadeiro. O lucro social atua diretamente no mercado social, do compartilhamento e da solidariedade. O mercado econ\u00f4mico na busca incessante e cega pelo lucro financeiro.<br \/>\nUma frase de uma m\u00fasica do Jorge Ben(jor) nos diz: \u201cse o malandro soubesse como \u00e9 bom ser honesto, seria honesto s\u00f3 por malandragem\u201d. Proponho fazermos o bem nem que seja por ego\u00edsmo, mas que, seja por que motivo for, atuemos cada vez no mercado social para salvar o pouco que ainda temos do que se chama de sociedade.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/conrado.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/conrado.jpg\" alt=\"conrado\" width=\"140\" height=\"76\" class=\"alignleft size-full wp-image-56\" \/><\/a><small><em>Conrado Adolpho Vaz \u00e9 educador, publicit\u00e1rio, estrategista e palestrante. Sua forma\u00e7\u00e3o vem de escolas de excel\u00eancia como ITA e Unicamp. Escreve e ministra semin\u00e1rios, palestras e treinamentos em diversas \u00e1reas de marketing e vendas. Contato: conrado@publiweb.com.br | www.conrado.com.br<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Conrado Antes de ler esse post, deixe-me adverti-lo. \u00c9 um post grande, conceitual, reflexivo e n\u00e3o fala absolutamente nada sobre marketing digital. Belo incentivo, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Mas mesmo assim, acho que deveria l\u00ea-lo. O t\u00edtulo j\u00e1 diz que vou falar algo sobre lucro, mas n\u00e3o como ouvimos falar normalmente. 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