{"id":2951,"date":"2013-10-22T09:02:02","date_gmt":"2013-10-22T11:02:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=2951"},"modified":"2018-08-27T09:58:09","modified_gmt":"2018-08-27T12:58:09","slug":"ex-detento-fatura-r-1-milhao-reciclagem-de-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/ex-detento-fatura-r-1-milhao-reciclagem-de-madeira\/","title":{"rendered":"Ex-detento fatura R$ 1 milh\u00e3o com reciclagem de madeira"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/sonho-de-liberdade.jpg\" alt=\"sonho-de-liberdade\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignright size-full wp-image-2952\" \/>Depois de cumprir pena de seis anos no pres\u00eddio da Papuda, em Bras\u00edlia (DF), por assalto e roubo de carro, Fernando de Figueiredo, 44, foi em busca de uma oportunidade de trabalho, mas sem sucesso. Resolveu, ent\u00e3o, abrir um neg\u00f3cio pr\u00f3prio junto com outros egressos do sistema prisional.<br \/>\nHoje fatura R$ 1 milh\u00e3o por ano \u2013 de R$ 120 mil a R$ 150 mil por m\u00eas \u2013 com a cooperativa de reciclagem de madeira Sonho de Liberdade, e gera uma renda mensal de R$ 1.000 a  R$ 4.000 para os cooperados.<br \/>\nSegundo Figueiredo, o neg\u00f3cio surgiu porque um grupo de 10 colegas n\u00e3o conseguia trabalho. &#8220;O mercado, de modo geral, rejeita presidi\u00e1rios&#8221;, diz.<br \/>\n<strong>Atividade come\u00e7ou com a produ\u00e7\u00e3o de bolas<\/strong><br \/>\nPor dominarem a t\u00e9cnica de fabricar bolas de futebol \u2013 pr\u00e1tica que adquiriram no pres\u00eddio \u2013, montaram um neg\u00f3cio na \u00e1rea para vender de porta em porta.<br \/>\nDepois de dois anos de mercado, a concorr\u00eancia chinesa arrasou o neg\u00f3cio \u2013 as vendas despencaram mais de 50%, passando de 500 unidades por m\u00eas para 250. S\u00edmbolo da empresa, a bola foi trocada, em 2007, pela reciclagem da madeira utilizada pela constru\u00e7\u00e3o civil e depositada no aterro do Distrito Federal.<br \/>\nFigueiredo afirma que a cooperativa tem entre seus clientes duas ind\u00fastrias do agroneg\u00f3cio: Cargill e Bunge. Desde o in\u00edcio, a estrat\u00e9gia de neg\u00f3cio foi buscar parceiros privados e p\u00fablicos.<br \/>\n&#8220;Percebemos uma nova oportunidade de neg\u00f3cio, pois era uma montanha de madeira parada na nossa  frente&#8221;, diz Figueiredo.<br \/>\nOs cooperados afirmam que reciclam 1.500 toneladas por m\u00eas. Eles separam a madeira, que depois \u00e9 triturada e vendida \u00e0 ind\u00fastria, onde vira combust\u00edvel para as caldeiras.<br \/>\nUma parte \u00e9 trabalhada para confec\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis r\u00fasticos.<br \/>\nDe acordo com Figueiredo, quando a cooperativa de reciclagem come\u00e7ou a dar resultado, os cooperados decidiram fazer uma parceria com a UNB (Universidade de Bras\u00edlia), que criou uma linha de seis produtos.<br \/>\nA universidade fez o design dos m\u00f3veis, e os pre\u00e7os variam de R$ 300 (poltrona) a R$ 1.300 (mesa de centro). Os produtos s\u00e3o vendidos sob encomenda para restaurantes, lojas e empresas.<br \/>\n<strong>Cooperativa j\u00e1 investiu R$ 450 mil em equipamentos<\/strong><br \/>\nPara desenvolver o neg\u00f3cio, a cooperativa j\u00e1 investiu R$ 450 mil em equipamentos, desde um caminh\u00e3o at\u00e9 serras e trituradores. &#8220;Consolidamos um projeto de inser\u00e7\u00e3o social, pois a cooperativa representa uma nova chance para detentos que, infelizmente, n\u00e3o conseguem entrar no mercado de trabalho&#8221;, declara Figueiredo.<br \/>\nA Sonho de Liberdade surgiu na Cidade Estrutural, bairro carente de Bras\u00edlia (DF), pois a maioria dos cooperados residia na regi\u00e3o. A sede fica pr\u00f3xima a um aterro sanit\u00e1rio, o que facilita a coleta de material recicl\u00e1vel para a produ\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as da cooperativa.<br \/>\nDesde a funda\u00e7\u00e3o, segundo os l\u00edderes, as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em assembleia.<br \/>\nApesar de o carro-chefe da cooperativa atualmente ser a reciclagem, a  produ\u00e7\u00e3o de bolas, por exemplo, n\u00e3o foi descartada por ser uma marca da entidade.<br \/>\nPor m\u00eas s\u00e3o produzidas 300 bolas ao pre\u00e7o de R$ 35 (unidade), e a comercializa\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para eventos beneficentes e brindes corporativos.<br \/>\n<strong>Cooperativa recicla madeira do est\u00e1dio Man\u00e9 Garricha<\/strong><br \/>\nOutra iniciativa da cooperativa foi uma parceria com o governo do Distrito Federal para reciclar a madeira do Est\u00e1dio Nacional de Bras\u00edlia Man\u00e9 Garrincha, inaugurado na Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, e que receber\u00e1 jogos da Copa do Mundo de 2014.<br \/>\n<strong>Conviv\u00eancia di\u00e1ria de associados \u00e9 importante para o neg\u00f3cio<\/strong><br \/>\nPara Davi Rog\u00e9rio de Moura Costa, coordenador do Observat\u00f3rio de Cooperativas da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), nas associa\u00e7\u00f5es em que os cooperados n\u00e3o vivem pr\u00f3ximos podem ocorrer problemas de esvaziamento e gest\u00e3o por falta de conviv\u00eancia.<br \/>\n&#8220;Como os associados est\u00e3o distantes, pois residem longe um dos outros, isso esvazia a ideia de uma associa\u00e7\u00e3o de fato, e torna a cooperativa um neg\u00f3cio comum com os problemas que a gente conhece: falta de qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra e atrasos na entrega de produtos&#8221;, diz o coordenador.<br \/>\n<strong>Falta de gest\u00e3o profissional \u00e9 problema comum em cooperativas<\/strong><br \/>\nO presidente do Sescoop-DF (Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem de Cooperativismo do Distrito Federal), Roberto Marizi, diz que cooperativas de reciclagem enfrentam problemas de gest\u00e3o, como desconhecimento de legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e tribut\u00e1ria.<br \/>\nSegundo Marizi, o modelo de gest\u00e3o dos cooperados \u00e9, muitas vezes, improvisado e torna as associa\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;O modelo de gest\u00e3o de uma cooperativa \u00e9 igual \u00e0 gest\u00e3o de uma microempresa, que exige profissionalismo, mas isso n\u00e3o ocorre em muitas cooperativas&#8221;, diz o presidente do Sescoop.<br \/>\n<strong>50 mil detentos prestam servi\u00e7o a empresas de S\u00e3o Paulo<\/strong><br \/>\nSegundo a  Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria de S\u00e3o Paulo, as empresas paulistas empregam cerca de 50 mil detentos. Eles recebem treinamento em 30 Centros de Qualifica\u00e7\u00e3o Profissional e Produ\u00e7\u00e3o, no interior das unidades penais.<br \/>\nPor m\u00eas s\u00e3o qualificados 1.500 sentenciados, com remunera\u00e7\u00e3o de  R$ 508.<br \/>\nEles produzem itens como m\u00f3veis escolares e de escrit\u00f3rio, que s\u00e3o comercializados para pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, que podem adquirir bens e contratar servi\u00e7os produzidos sem licita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m o Programa de Aloca\u00e7\u00e3o de M\u00e3o de Obra que permite a contrata\u00e7\u00e3o de detentos. Segundo a Funap (Funda\u00e7\u00e3o Professor Manoel Pedro Pimental), 562 empresas privadas e 55 do setor p\u00fablico est\u00e3o no programa, totalizando cerca de 14,3 mil detentos.<br \/>\nAs empresas interessadas nesse tipo de m\u00e3o de obra podem obter mais informa\u00e7\u00f5es na Funap (Funda\u00e7\u00e3o Professor Manoel Pedro Pimental), pelo telefone (11) 3150-1010.<br \/>\n<small><em>Fonte: UOL (http:\/\/economia.uol.com.br\/empreendedorismo\/noticias\/redacao\/2013\/10\/22\/ex-detento-fatura-r-1-milhao-com-cooperativa-de-reciclagem-de-madeira.htm)<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de cumprir pena de seis anos no pres\u00eddio da Papuda, em Bras\u00edlia (DF), por assalto e roubo de carro, Fernando de Figueiredo, 44, foi em busca de uma oportunidade de trabalho, mas sem sucesso. Resolveu, ent\u00e3o, abrir um neg\u00f3cio pr\u00f3prio junto com outros egressos do sistema prisional. 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