{"id":11264,"date":"2018-04-06T11:24:58","date_gmt":"2018-04-06T14:24:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=11264"},"modified":"2018-08-20T16:56:23","modified_gmt":"2018-08-20T19:56:23","slug":"quem-desiste-nao-faz-historia-como-seguir-adiante-nos-dias-em-que-tudo-da-errado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/quem-desiste-nao-faz-historia-como-seguir-adiante-nos-dias-em-que-tudo-da-errado\/","title":{"rendered":"Quem desiste n\u00e3o faz hist\u00f3ria: como seguir adiante nos dias em que tudo d\u00e1 errado?"},"content":{"rendered":"<h2>Para cada Day1, existem centenas de outros Day-1. O que diferencia os empreendedores de impacto daqueles que param na metade do caminho \u00e9 a vontade de continuar por mais um dia.<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/shutterstock_568715344.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-11265\" src=\"https:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/shutterstock_568715344-300x182.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"371\" \/><\/a><br \/>\nTodo empreendedor tem um\u00a0Day1. Aquele dia que chacoalha a nossa vida; que nos faz perder o equil\u00edbrio por um instante e quase cair para tr\u00e1s. Uma situa\u00e7\u00e3o, um clique ou uma certeza que nos tira do lugar. Desse dia em diante, n\u00e3o queremos mais cruzar os bra\u00e7os, muito menos desistir e voltar atr\u00e1s. Por\u00e9m, s\u00f3 quem empreende sabe: para cada Day1, existem centenas de outros Day-1.<br \/>\nEsses s\u00e3o os dias em que tudo parece dar errado, quando o mundo vira de cabe\u00e7a para baixo. O gatilho pode ser uma crise interna, um cliente perdido, o fracasso de um lan\u00e7amento ou uma not\u00edcia inesperada que o tira o ch\u00e3o. Nesses dias, a derrota te faz pensar que perdeu a guerra. Passar por esses dias coloca toda a sua resili\u00eancia \u00e0 prova, mas tamb\u00e9m te torna mais forte. Afinal, quem desiste n\u00e3o faz hist\u00f3ria.<\/p>\n<blockquote><p>OS EMPREENDEDORES DE IMPACTO S\u00c3O AQUELES QUE ENCONTRARAM 99 RAZ\u00d5ES PARA DESISTIR, MAS DECIDIRAM SE AGARRAR NA CENT\u00c9SIMA QUE DIZIA PARA SEGUIR EM FRENTE.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mauricio Schneider, empreendedor participante do Scale-Up Agrotech, programa da Endeavor com patroc\u00ednio da Yara, tem um Day-1 para ficar na hist\u00f3ria. Uma trajet\u00f3ria que merece ser compartilhada como sin\u00f4nimo de persist\u00eancia e inspira\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 empreendendo.<br \/>\nMaur\u00edcio sempre foi empreendedor, desde que se entende por gente. E, desde cedo, soube que o fracasso \u00e9 parte da jornada at\u00e9 o sucesso. Aos 21 anos, come\u00e7ou uma planta\u00e7\u00e3o de tomates em estufa que fornecia aos mercados da regi\u00e3o com seu pai, que entrou no neg\u00f3cio como investidor. O neg\u00f3cio ia bem, a ponto de financiar a constru\u00e7\u00e3o de estruturas para plasticultura (cultura com o uso de estufas) que ampliaram o volume da produ\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que, certo dia, veio um vendaval que levou todas as estufas pelos ares. N\u00e3o havia mais nada que pudesse fazer: demoraria 120 dias para uma nova colheita e nenhum cliente poderia esperar tudo isso. O neg\u00f3cio de tomates chegava ao fim. Ou quase. Maur\u00edcio ainda passou 10 anos pagando a conta do financiamento que tinha feito.<br \/>\nDali, Maur\u00edcio foi fazer faculdade de Administra\u00e7\u00e3o e fez carreira na AIESEC, uma das maiores organiza\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a jovem do mundo, at\u00e9 ser convidado a trabalhar como trainee na Europa. L\u00e1, tomou a decis\u00e3o: queria voltar ao Brasil para empreender. Com toda a bagagem que adquiriu, voltou e montou um neg\u00f3cio de importa\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais. O modelo envolvia um showroom em escolas de m\u00fasica e a venda online dos instrumentos. Por\u00e9m, um dia, depois de ter problemas com a entrada das mercadorias no Brasil, o material ficou estocado no Porto Seco, uma esta\u00e7\u00e3o aduaneira que funciona como dep\u00f3sito alfandeg\u00e1rio. Mais uma vez, o tempo jogou contra o empreendedor. Veio uma chuva t\u00e3o forte que alagou o dep\u00f3sito, estragando todas as mercadorias armazenadas. N\u00e3o existia mais capital para continuar. Apesar disso, a burocracia \u00e9 t\u00e3o grande para o fechamento de empresas que a empresa n\u00e3o funciona h\u00e1 5 anos, mas ainda tem um\u00a0CNPJ Zumbi.<br \/>\nA partir da\u00ed, Maur\u00edcio come\u00e7ou a dar cursos sobre modelagem de neg\u00f3cios, formatando uma iniciativa que hoje \u00e9 conhecida como Administrar \u00e9 Preciso, um coletivo de administradores e gestores que fazem consultorias para pequenas e m\u00e9dias empresas. Em uma das avalia\u00e7\u00f5es de plano de neg\u00f3cios que Maur\u00edcio fez, conheceu uma empresa de ilustra\u00e7\u00e3o que tinha ambi\u00e7\u00f5es para crescer. Por meio de uma s\u00e9rie de conversas com os fundadores, eles identificaram uma oportunidade de entrada no mercado de games. Maur\u00edcio acabou entrando como s\u00f3cio-investidor em 2009, respons\u00e1vel pela gest\u00e3o e estrat\u00e9gia comercial do neg\u00f3cio.<br \/>\nO objetivo do primeiro trabalho era criar um projeto autoral \u2014 o Dodge This! \u2014 que fosse lan\u00e7ado em parceria com uma grande publicadora de games. Os s\u00f3cios-fundadores fizeram um storyboard e mandaram para as 10 maiores publicadores do mundo. Dessas, apenas 3 responderam. Uma delas foi a Chillingo, que fechou parceria com eles.<br \/>\nDe um lado, a IMGNATION Studios produziria o game e, de outro, a Chilingo ofereceria a rede de contatos e estrat\u00e9gia de RP para lan\u00e7ar o jogo. Al\u00e9m disso, eles disponibilizaram um produtor de jogos de n\u00edvel mundial para ajud\u00e1-los na constru\u00e7\u00e3o do produto.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, a ajuda foi boa, mas ruim. As mudan\u00e7as que o produtor pedia eram tantas que o projeto de 1 ano e meio s\u00f3 ficou pronto 3 anos depois. O caixa planejado n\u00e3o seria suficiente para sustentar a opera\u00e7\u00e3o por todo esse per\u00edodo, foi por isso que eles come\u00e7aram, em paralelo, a prestar outros servi\u00e7os que gerassem uma receita recorrente. Modelo esse que at\u00e9 hoje \u00e9 um dos pilares de sustentabilidade financeira da empresa.<br \/>\nEm 2011, finalmente, o game foi lan\u00e7ado! Em dois dias, ele j\u00e1 tinha 300 mil downloads e estava na lista de top 10 mais baixados do mundo. Mas cad\u00ea a monetiza\u00e7\u00e3o? A expectativa era ter um ticket m\u00e9dio de 10 d\u00f3lares por jogo baixado, considerando as configura\u00e7\u00f5es premium que eram pagas, mas, por causa de um bug na convers\u00e3o de moedas da loja virtual, o usu\u00e1rio n\u00e3o conseguia realizar a compra. Em 20 minutos o bug foi resolvido, logo no terceiro dia de lan\u00e7amento. Mas para a nova vers\u00e3o entrar no ar, seria preciso entrar em uma fila nas lojas de aplicativos (App Store, Google Play e Microsoft Store), o que levaria at\u00e9 10 dias.<br \/>\nO problema \u00e9 que os jogos t\u00eam uma curva de ader\u00eancia nos primeiros 7 dias do lan\u00e7amento: nesse per\u00edodo, se voc\u00ea chegar no topo e conseguir descolar da concorr\u00eancia, a tend\u00eancia \u00e9 que continue no topo. At\u00e9 a nova vers\u00e3o ir ao ar, os usu\u00e1rios j\u00e1 tinham desinstalados, reclamado do jogo nas resenhas e, por consequ\u00eancia, o algoritmo das lojas derrubaria o alcance do jogo.<\/p>\n<blockquote><p>EM UMA SEMANA, A EXPECTATIVA ERA CHEGAR EM UMA RECEITA DE U$S 12 MILH\u00d5ES COM 1,2 MILH\u00c3O DE DOWNLOADS. MAS NEM UM REAL CAIU NA CONTA. UM DESASTRE TOTAL.<\/p><\/blockquote>\n<p>Talvez tenham sido os fracassos anteriores, ou talvez a vontade de construir um neg\u00f3cio de impacto, mas o fato \u00e9 que Maur\u00edcio n\u00e3o pensou em desistir. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos conseguido nos expor no mercado, fizemos todo o projeto certo, sab\u00edamos que o bug foi causada por um problema de valida\u00e7\u00e3o da publicadora, n\u00e3o pod\u00edamos jogar essa experi\u00eancia no lixo s\u00f3 porque est\u00e1vamos frustrados.\u201d<br \/>\nDos oito s\u00f3cios envolvidos na IMGINATION, s\u00f3 ficaram dois: ele e Orlando, um dos fundadores. Maur\u00edcio investiria capital para a empresa sobreviver por mais um ano, pelo menos, at\u00e9 um novo lan\u00e7amento, e Orlando seria o l\u00edder do projeto, garantindo que a m\u00e1quina continuasse girando. \u201cVamos encolher e vamos acreditar que a gente vai mudar o mundo\u201d, esse era o lema.<br \/>\nChamaram o time de 15 pessoas para uma reuni\u00e3o, uma das conversas mais dif\u00edceis da vida de Maur\u00edcio. O discurso foi preto no branco, com a transpar\u00eancia caracter\u00edstica de Orlando. Ele contou que os s\u00f3cios teriam um sal\u00e1rio mais baixo, que o Maur\u00edcio faria o aporte do capital para o pr\u00f3ximo ano e que eles n\u00e3o conseguiriam ficar com toda a equipe. Naturalmente, as pessoas foram saindo at\u00e9 chegarem em um tamanho poss\u00edvel de manter a opera\u00e7\u00e3o. Por sorte, eles tinham uma sala na Incubadora Tecnol\u00f3gica de Santa Maria, a ITSM, que oferecia toda a infraestrutura por um aluguel bastante amig\u00e1vel.<br \/>\nO plano era viver de forma austera, com 4 pessoas na equipe, at\u00e9 o pr\u00f3ximo jogo ser lan\u00e7ado. Mas, 45 dias, aconteceu o que ningu\u00e9m esperava. A publicadora de games que participou do primeiro projeto conectou os empreendedores \u00e0 Samsung para um projeto de realidade virtual. A ideia era lan\u00e7ar o mesmo jogo que eles j\u00e1 tinham produzido \u2014 o \u201cDodge This!\u201d \u2014 na vers\u00e3o para o Gear VR, \u00f3culos de realidade virtual que seriam lan\u00e7ados em 2014. Na \u00e9poca, eles ainda n\u00e3o tinham nem o prot\u00f3tipo dos \u00f3culos, mas acharam que aquele jogo poderia ser um \u00f3timo t\u00edtulo de lan\u00e7amento.<br \/>\nA not\u00edcia era boa, mas ficava ainda melhor. A Samsung e a Oculus, as duas empresas que capitanearam o projeto, pagariam pelo jogo. No pior cen\u00e1rio, seria necess\u00e1rio gastar metade do valor oferecido para a produ\u00e7\u00e3o e o restante seria usado para recuperar o f\u00f4lego financeiro da companhia. Neg\u00f3cio fechado! Com isso, conseguiram estabilizar o caixa, manter as pessoas trabalhando e ainda teriam a oportunidade de estrear no mercado de VR (virtual reality).<br \/>\nA partir desse dia, as coisas come\u00e7aram a mudar. Depois do lan\u00e7amento, a visibilidade aumentou bastante j\u00e1 que eram a primeira empresa brasileira a criar um jogo para realidade virtual. Logo em seguida, surgiu tamb\u00e9m a oportunidade de fazerem a vers\u00e3o VR para o jogo Angry Birds. O primeiro projeto tinha sido entregue em abril, o outro j\u00e1 estava programado para julho. Essa abertura para o mercado global ampliou as perspectivas dos dois s\u00f3cios.<br \/>\nNo mesmo ano, participaram do programa de incuba\u00e7\u00e3o da Game Founders, maior aceleradora de empresas de games do mundo. E, em janeiro do ano seguinte, foram acelerados pelo fundo de Venture Capital Boost VC, especialista em realidade virtual e blockchain. Durante um dos eventos do programa, conheceram a HTC que, meses depois, fez um aporte na empresa para o jogo que ser\u00e1 lan\u00e7ado em breve.<br \/>\nTudo isso porque, depois daquela semana terr\u00edvel de lan\u00e7amento do jogo, Maur\u00edcio e seu s\u00f3cio conseguiram enxergar al\u00e9m da neblina de desespero que se formou no momento. Eles decidiram olhar por cima da frustra\u00e7\u00e3o que abatia o time porque acreditavam no potencial da empresa. Continuar por mais um dia. Quem sabe o dia seguinte n\u00e3o \u00e9 o seu Day1?<br \/>\n<em>Hoje, Maur\u00edcio \u00e9 COO da Solubio, uma empresa de produ\u00e7\u00e3o de defensivos biol\u00f3gicos para agricultura, e, ao lado do empreendedor Alber Martins Guedes, participa do programa Scale-Up Agrotech da Endeavor.<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFonte:\u00a0<em><a href=\"https:\/\/endeavor.org.br\/quem-desiste-nao-faz-historia-como-seguir-adiante-nos-dias-em-que-tudo-da-errado\/\">Endeavor<\/a>.<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para cada Day1, existem centenas de outros Day-1. O que diferencia os empreendedores de impacto daqueles que param na metade do caminho \u00e9 a vontade de continuar por mais um dia. Todo empreendedor tem um\u00a0Day1. 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