{"id":10482,"date":"2016-10-13T09:44:33","date_gmt":"2016-10-13T12:44:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=10482"},"modified":"2016-10-13T09:44:33","modified_gmt":"2016-10-13T12:44:33","slug":"como-convencer-o-cliente-que-acha-seu-preco-muito-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/como-convencer-o-cliente-que-acha-seu-preco-muito-alto\/","title":{"rendered":"Como convencer o cliente que acha seu pre\u00e7o muito alto"},"content":{"rendered":"<p>Quem trabalha com vendas certamente conhece de cor esta cena: o cliente entra na loja, come\u00e7a a olhar os produtos e seus olhos brilham por um item espec\u00edfico. J\u00e1 no final do processo de compra, ele pergunta qual o pre\u00e7o da pe\u00e7a desejada. De repente, sua express\u00e3o muda para uma de espanto.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/convencer-cliente-pagar-caro-precos-altos-300x164.jpg\" alt=\"convencer-cliente-pagar-caro-precos-altos\" width=\"300\" height=\"164\" class=\"alignright size-medium wp-image-10483\" \/><br \/>\nO final dessa hist\u00f3ria \u00e9 vari\u00e1vel: o cliente pode desde fazer perguntas agressivas sobre por que o pre\u00e7o est\u00e1 t\u00e3o alto at\u00e9 sair da loja sorrateiramente e procurar uma proposta mais atraente.<br \/>\nMas, afinal, por que esse susto com pre\u00e7os acontece tanto no mundo do com\u00e9rcio? H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es poss\u00edveis, afirma Carlos Cruz, diretor do IBVendas.<br \/>\n\u201cPode ser que o consumidor realmente n\u00e3o tenha como desembolar tudo isso. Tamb\u00e9m pode ser que ele at\u00e9 tenha o capital, mas est\u00e1 em d\u00favida se vale a pena pagar tudo isso ou n\u00e3o. Por fim, pode ser uma t\u00e9cnica de negocia\u00e7\u00e3o: o cliente finge o susto para obter condi\u00e7\u00f5es melhores de pagamento.\u201d<br \/>\nO caso mais comum \u00e9 o segundo, afirma Luciano Salamacha, professor de estrat\u00e9gia de empresas e de planos de neg\u00f3cios da FGV.<br \/>\n\u201cLembre-se de que qualidade embutida em um produto ou servi\u00e7o n\u00e3o vale nada se isso n\u00e3o se traduz em qualidade percebida pelo consumidor. Se eu n\u00e3o consegui mostrar o valor que meu item traz ao cliente, eu o assustarei ao dizer meu pre\u00e7o.\u201d<br \/>\nSeja pelo motivo que for, esses \u201csustos\u201d dos clientes est\u00e3o muito relacionados com o momento atual de recess\u00e3o econ\u00f4mica. \u201cVemos um aumento da seletividade toda vez que h\u00e1 uma crise\u201d, explica Marcus Rizzo, da consultoria Rizzo Franchise. \u201cIsso faz com que, inclusive, o consumidor possa trocar de marcas em \u00e9pocas de menor caixa, por n\u00e3o perceber mais tanto valor atrelado ao pre\u00e7o pedido.\u201d<br \/>\nPor\u00e9m, n\u00e3o d\u00e1 para esperar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica melhorar para voltar a vender. Por isso, veja como fechar neg\u00f3cio com um cliente que se assustou com o que voc\u00ea est\u00e1 pedindo em troca de um produto ou servi\u00e7o:<br \/>\n<strong>1. Antes de tudo: voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1, realmente, pedindo muito?<\/strong><br \/>\nO primeiro passo para evitar o susto dos consumidores \u00e9, claro, verificar se seu pre\u00e7o realmente n\u00e3o \u00e9 escandaloso em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 oferecido em troca. Ou seja: fa\u00e7a uma boa precifica\u00e7\u00e3o dos seus produtos ou servi\u00e7os.<br \/>\nSegundo Salamacha, h\u00e1 dois modelos distintos de precifica\u00e7\u00e3o. O primeiro, mais tradicional, vai de dentro da empresa para o consumidor: o pre\u00e7o \u00e9 colocado com base nos custos do neg\u00f3cio e na margem de lucro desejada. \u201cIsso funciona quando eu comercializo produtos exclusivos e escassos, porque os consumidores procuram o que eu ofere\u00e7o independentemente do pre\u00e7o\u201d, explica o docente da FGV.<br \/>\nPor\u00e9m, quando h\u00e1 muitos concorrentes, Salamacha recomenda fazer uma precifica\u00e7\u00e3o que v\u00e1 de fora para dentro: ou seja, o pre\u00e7o \u00e9 definido a partir do quanto os consumidores valorizam seu produto ou servi\u00e7o. S\u00f3 ent\u00e3o voc\u00ea forma seus pre\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cDuas lojas podem vender o mesmo produto com valores diferentes. Neste caso, o pre\u00e7o \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 proposta de valor da empresa, e n\u00e3o ao custo de produ\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nRizzo tamb\u00e9m defende essa nova forma de precificar. \u201cDefina o pre\u00e7o antes de entrar em contato com intermedi\u00e1rios e fornecedores. N\u00e3o cobre pelo somat\u00f3rio de custos agregados, e sim pela percep\u00e7\u00e3o de qual o pre\u00e7o que o cliente est\u00e1 disposto a pagar. Falta sensibilidade em saber quanto o cliente pagaria por esse produto, e fazer a cadeia funcionar de tr\u00e1s para frente. N\u00e3o coloque pre\u00e7os com base na inefici\u00eancia dos outros.\u201d<br \/>\nPor\u00e9m, tome cuidado ao aplicar essa nova forma de precificar para n\u00e3o ceder a qualquer pre\u00e7o sugerido pelos clientes. \u201cO cliente sempre quer pagar o m\u00ednimo, mas talvez isso n\u00e3o corresponda \u00e0 realidade. \u00c0s vezes, vale a pena cobrar o que eles podem pagar, oferecendo mais benef\u00edcios agregados\u201d, explica Cruz, do IBVendas.<br \/>\nUma outra boa t\u00e1tica \u00e9 ter uma conversa franca com o consumidor, recomenda Cruz. Pergunte por que o cliente acha o pre\u00e7o caro. Assim, voc\u00ea consegue saber onde pode pesquisar outros modelos de precifica\u00e7\u00e3o e ver se estes se adequam ou n\u00e3o \u00e0 sua proposta de precifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>2. Dar desconto \u00e9 a resposta mais r\u00e1pida \u2013 e raramente a melhor<\/strong><br \/>\nA resposta mais imediata a um cliente que n\u00e3o possui capacidade financeira para comprar seu produto ou servi\u00e7o \u00e9 oferecer um pequeno desconto. Por\u00e9m, ser\u00e1 que isso \u00e9 o certo a se fazer?<br \/>\nSegundo Rizzo, essas promo\u00e7\u00f5es s\u00f3 queimam seu neg\u00f3cio. \u201cImagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: se voc\u00ea vender por 50 reais uma bota que antes valia 200 reais, o que acontece? Os primeiros clientes se sentem enganados e acham que seu produto j\u00e1 n\u00e3o vale tudo isso. O desespero de n\u00e3o perder a venda individual \u00e9 um tiro no p\u00e9 para as negocia\u00e7\u00f5es futuras.\u201d<br \/>\nJ\u00e1 Salamacha coloca uma condi\u00e7\u00e3o especial para abrir a temporada de liquida\u00e7\u00f5es: ter mercadoria sobrando enquanto h\u00e1 um custo fixo \u00e0 espreita no fim do m\u00eas. \u201cA venda por desconto est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 capacidade do empreendedor lidar com essa opera\u00e7\u00e3o. Se o vendedor possui mercadoria sobrando e um custo fixo que precisa ser pago, \u00e0s vezes \u00e9 melhor abrir m\u00e3o da sua margem de lucro para conseguir pagar as contas do fim do m\u00eas.\u201d<br \/>\nPor\u00e9m, tal pol\u00edtica n\u00e3o pode se tornar uma pr\u00e1tica comum: o cliente \u00e9 esperto o suficiente para perceber quando seu neg\u00f3cio \u00e9 ref\u00e9m de descontos para compor o caixa. \u201cPor exemplo: os clientes deixam de comprar perto do Natal, j\u00e1 esperando os descontos que aparecem ap\u00f3s as festas de fim de ano. Antigamente, as lojas vendiam em dezembro 100% a mais do que a m\u00e9dia de meses comuns. Hoje, estamos em 60% a mais; os 40% restantes foram para o m\u00eas de janeiro, que apresenta as promo\u00e7\u00f5es.\u201d<br \/>\n<strong>3. O cliente n\u00e3o pode pagar no momento? Ofere\u00e7a parcelamentos<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, o que fazer quando o cliente alega que n\u00e3o tem dinheiro no bolso para pagar o que seu neg\u00f3cio pede?<br \/>\nAntes de tudo, ganhe confian\u00e7a: quando um consumidor diz que seu produto ou servi\u00e7o est\u00e1 caro, quer dizer que ele j\u00e1 adquiriu psicologicamente o produto. O que ele quer agora \u00e9 encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para adquiri-lo com sua capacidade financeira limitada, diz Salamacha.<br \/>\n\u201cNessa hora, ofere\u00e7a uma alternativa relacionada com a forma\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas futuras. O empreendedor deve identificar se seu cliente tem essa capacidade econ\u00f4mica sugerindo financiamentos, parcelamentos ou permutas.\u201d<br \/>\n<strong>4. Argumente o valor agregado do seu produto com o consumidor<\/strong><br \/>\nSe mesmo assim o cliente ainda n\u00e3o achar a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio atraente, provavelmente est\u00e1 com d\u00favidas quanto ao valor que seu produto ou servi\u00e7o traz.<br \/>\nLembre-se: pre\u00e7o e valor possuem significados distintos. \u201cPre\u00e7o \u00e9 simplesmente a quantidade monet\u00e1ria que a pessoa deve desembolsar. J\u00e1 o valor \u00e9 a import\u00e2ncia que uma pessoa d\u00e1 a algo, e tem a ver com sua necessidade subjetiva\u201d, explica Cruz, do IBVendas.<br \/>\nPor isso, em seu discurso, relembre sempre o que trouxe o consumidor at\u00e9 sua loja e mostre quais caracter\u00edsticas do seu produto ou servi\u00e7o se relacionam com a solu\u00e7\u00e3o do problema.<br \/>\n\u201cVoc\u00ea precisa oferecer algo para que ele ache a compra interessante. Caso nem o pre\u00e7o e nem as especificidades do produto ou servi\u00e7o sejam esse ponto de atra\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria experi\u00eancia de compra pode entrar como diferencial. Ou seja: ressalte o que d\u00e1 valor agregado \u00e0 sua loja\u201d, recomenda Rizzo.<br \/>\n<strong>5. Ofere\u00e7a uma alternativa que caiba no bolso do cliente<\/strong><br \/>\nSe mesmo assim o cliente n\u00e3o quiser fechar neg\u00f3cio, o vendedor pode oferecer uma varia\u00e7\u00e3o na proposta que o cliente inicialmente procurou: um produto ou servi\u00e7o que tenha a maior quantidade de atributos que ele desejava, mas que caiba no bolso.<br \/>\n\u201cSe o cliente ainda est\u00e1 tentando argumentar, ele provavelmente est\u00e1 pedindo ajuda ao comprar um produto ou servi\u00e7o com as caracter\u00edsticas que ele procura\u201d, argumenta Salamacha. Essa tamb\u00e9m \u00e9 a hora de ativar novas necessidades: ao oferecer uma contra-proposta, ressalte aspectos do novo produto ou servi\u00e7o que tamb\u00e9m se relacionam com o que \u00e9 procurado pelo consumidor.<br \/>\n<strong>Nada funcionou. E agora?<\/strong><br \/>\nSe nenhuma das t\u00e1ticas acima funcionou e o cliente desistiu da compra, vale a pena pensar se sua estrat\u00e9gia empresarial est\u00e1 funcionando para o consumidor correto.<br \/>\n\u201cToda empresa cria uma sensa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o no cliente, da comunica\u00e7\u00e3o e decora\u00e7\u00e3o da loja at\u00e9 sua localiza\u00e7\u00e3o. Se o pre\u00e7o exigido n\u00e3o estiver atrelado ao valor dado pelo cliente, ocorre o \u2018susto\u2019\u201d, explica Salamacha. \u201cPode acontecer de esse cliente fazer uma leitura equivocada da estrat\u00e9gia do neg\u00f3cio, mas geralmente a culpa \u00e9 da pr\u00f3pria empresa, que n\u00e3o soube desenhar sua postura em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico pretendido.\u201d<br \/>\nPor isso, fa\u00e7a um estudo sobre qual parcela de compradores seu empreendimento pretende atingir \u2013 inclusive quantificando quantos clientes existem em tal perfil e onde eles se encontram, para evitar receber apenas consumidores que se assustam com os pre\u00e7os pedidos.<br \/>\n\u201cVoc\u00ea nunca vai conseguir agradar todo mundo, porque cada cliente tem uma situa\u00e7\u00e3o que o diferencia. A meta deve ser agradar a maioria da parcela que voc\u00ea pretende atingir, com um pre\u00e7o que vai de acordo com o posicionamento de tal p\u00fablico-alvo\u201d, resume Rizzo.<br \/>\n<small><em>Fonte: Revista Exame<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem trabalha com vendas certamente conhece de cor esta cena: o cliente entra na loja, come\u00e7a a olhar os produtos e seus olhos brilham por um item espec\u00edfico. J\u00e1 no final do processo de compra, ele pergunta qual o pre\u00e7o da pe\u00e7a desejada. De repente, sua express\u00e3o muda para uma de espanto. 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