{"id":10141,"date":"2016-05-11T17:09:58","date_gmt":"2016-05-11T20:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/?p=10141"},"modified":"2018-08-27T09:50:03","modified_gmt":"2018-08-27T12:50:03","slug":"mar-calmo-nunca-fez-bom-marinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vendedorautonomo.com.br\/site\/mar-calmo-nunca-fez-bom-marinheiro\/","title":{"rendered":"Mar calmo nunca fez bom marinheiro"},"content":{"rendered":"<p>Empreender tem muito de navegar. Arrumar o pr\u00f3prio barco, recrutar a tripula\u00e7\u00e3o mais preparada, saborear o vento, ajustar as velas e deixar o porto seguro rumo ao desconhecido; s\u00e3o in\u00fameras as analogias que podem ser feitas entre as duas atividades. O que n\u00e3o \u00e9 de se estranhar, j\u00e1 que o objetivo de ambas \u00e9 desbravar territ\u00f3rios em busca de novas oportunidades.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vendedorautonomo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/jaime-de-paula-neoway-300x193.jpg\" alt=\"jaime-de-paula-neoway\" width=\"300\" height=\"193\" class=\"alignright size-medium wp-image-10142\" \/><br \/>\nPara o incans\u00e1vel Jaime de Paula, n\u00e3o sobra muito tempo para refletir sobre essas semelhan\u00e7as. Mas, quando conhecemos a hist\u00f3ria do homem no comando da Neoway \u2013 uma empresa que praticamente inaugurou o nicho de mercado em que atua \u2013, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o pensar naqueles que se aventuram no mar. Na verdade, o pr\u00f3prio Jaime faz a associa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que se refere \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o como \u201cuma frota de barcos viking\u201d. E a hist\u00f3ria a seguir mostra como a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 oportuna.<br \/>\n<strong>Os feiti\u00e7os da Ilha da Magia<\/strong><br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o entre Jaime e o mar vem de longa data. Come\u00e7a em Florian\u00f3polis \u2013 coincidentemente, hoje considerada a cidade mais empreendedora do pa\u00eds; terra natal do empreendedor, a Ilha da Magia parece ter feito valer o apelido. Lan\u00e7ou desde cedo seus encantamentos sobre um jovem inquieto e de olhar obstinado, que vasculhava o oceano e o horizonte em busca de algo al\u00e9m das belas paisagens naturais da cidade.<br \/>\nNo centro dessa busca, a tecnologia. \u201cEm minha vida e minha carreira, sempre segui na \u00e1rea tecnol\u00f3gica\u201d, afirma, convicto. Assim, ingressou em 1979 no curso de engenharia el\u00e9trica da UFSC (os de ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o e TI sequer existiam na \u00e9poca).<br \/>\nLogo no segundo ano de estudos, Jaime j\u00e1 fazia parte da equipe de desenvolvimento de softwares de uma empresa p\u00fablica de processamento de dados. O futuro era imensamente promissor \u2013 t\u00e3o vasto quanto o campo de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o que o mercado estava apenas come\u00e7ando a explorar. A carreira se provou mete\u00f3rica, e n\u00e3o demorou para que ele fosse de marujo a imediato: em poucos anos, ocupava o posto de Chief Information Officer (CIO) de grandes empresas, como Perdig\u00e3o e Cecrisa.<br \/>\nA paix\u00e3o por tecnologia n\u00e3o se restringia \u00e0 \u00e1rea profissional. Aproveitando-se do fato de que, desde aquela \u00e9poca, a UFSC j\u00e1 estimulava a aproxima\u00e7\u00e3o entre conhecimento e pr\u00e1tica, Jaime empreendeu primeiro um mestrado, e depois um doutorado, na \u00e1rea de M\u00eddia e Conhecimento. Naquele momento, a pesquisa orbitava conceitos como Data Warehouse e Data Market; a ideia de Big Data nem dava sinais de aparecer.<br \/>\n<strong>O salto do rob\u00f4<\/strong><br \/>\nForam os resultados dessa pesquisa acad\u00eamica que o levaram ao primeiro grande salto. Em parceria com a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, Jaime e seus colegas aplicavam modelos de integra\u00e7\u00e3o entre diversas bases de dados. Desse processo, nasceu um produto batizado \u201cinvestigador virtual\u201d, um rob\u00f4 que conseguia ler todos os relat\u00f3rios de um sistema e identificar padr\u00f5es entre as ocorr\u00eancias \u2013 o que ajudava a encontrar criminosos.<br \/>\nMAS O SALTO, NA VERDADE, COME\u00c7OU COM UM PULO NOS EUA, ONDE A POL\u00cdCIA DE NOVA IORQUE REALIZAVA UM INTERC\u00c2MBIO DE IDEIAS COM A DE S\u00c3O PAULO.<br \/>\nO ano era 2002; Jaime e sua equipe receberam um convite para apresentar o investigador virtual no evento. E, como n\u00e3o \u00e9 raro acontecer nestes casos, as conversas durante o cafezinho mudaram tudo.<br \/>\nPois foi durante uma delas que ele travou contato com James Onalfo. Neste experiente executivo da \u00e1rea de TI, Jaime descobriu afinidades que iam al\u00e9m do nome \u2013 Onalfo havia sido CIO da Kraft Foods, do mesmo ramo da Perdig\u00e3o. E acabou por ouvir um desses conselhos inestim\u00e1veis, que podem revolucionar a vida de um empreendedor \u2013 desde que ele esteja com o radar ativado.<br \/>\n\u201cJaime, voc\u00ea quer crescer de verdade?\u201d, disse Onalfo, aproximando-se e baixando a voz. \u201cEnt\u00e3o saia da \u00e1rea de seguran\u00e7a. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds continental, e tem muita gente querendo investir l\u00e1. Mas voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam uma base de informa\u00e7\u00f5es como a que existe aqui nos EUA\u201d. Nem teria sido preciso concluir a frase; Jaime imediatamente identificou a oportunidade.<br \/>\n<strong>Desbravando o Big Data<\/strong><br \/>\nDe volta ao Brasil, resolveu arriscar. Reorientou a pesquisa de seu doutorado e, em consequ\u00eancia, a pr\u00f3pria carreira, ao se aventurar por um novo oceano: o do Big Data. Passou a esquadrinhar todas as bases p\u00fablicas existentes no pa\u00eds, de modo a dar uso inteligente aos milh\u00f5es e milh\u00f5es de dados disponibilizados diariamente.<br \/>\n\u201cOnde existe mercado? Onde o mercado est\u00e1 crescendo, e onde est\u00e1 diminuindo? Quais s\u00e3o as varia\u00e7\u00f5es?\u201d; era a perguntas como essas, feitas por dez entre dez empres\u00e1rios, que Jaime queria responder com a plataforma que estava desenvolvendo \u2013 de forma mais \u00e1gil, barata e eficiente do que pesquisas e outros m\u00e9todos de an\u00e1lise.<br \/>\nEra um tremendo desafio. Mas a\u00ed entra a disposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0s grandes fa\u00e7anhas do empreendedorismo. Dedicando-se pessoal, profissional e academicamente ao trabalho, Jaime resolveu fazer disso um neg\u00f3cio. E acabou criando a Neoway, ainda em 2002. O prop\u00f3sito era claro: combinar intelig\u00eancia tecnol\u00f3gica e intelig\u00eancia de mercado em solu\u00e7\u00f5es que melhorassem o desempenho econ\u00f4mico e organizacional.<br \/>\n<strong>\u201cTerra \u00e0 vista!\u201d<\/strong><br \/>\nO pitch da Neoway era in\u00e9dito por estes tr\u00f3picos e, por isso, logo chamou a aten\u00e7\u00e3o de grandes corpora\u00e7\u00f5es. A primeira delas foi a maior empresa de cer\u00e2mica do pa\u00eds, a Portobello.<br \/>\nEm 2009, procuraram Jaime com uma demanda espec\u00edfica: realizar uma an\u00e1lise aprofundada do mercado de longo prazo. A partir de ent\u00e3o, a Neoway passou a mapear obras pelo pa\u00eds para que a empresa pudesse planejar vendas com mais precis\u00e3o. E os resultados foram incontest\u00e1veis: tanto a \u00e1rea de engenharia quanto a de varejo apresentaram crescimento expressivo (respectivamente, 40% e 30%). \u201cFoi um passo muito importante para a consolida\u00e7\u00e3o da Neoway\u201d, afirma.<br \/>\n<strong>As tempestades pelo caminho<\/strong><br \/>\nN\u00e3o foi uma navega\u00e7\u00e3o tranquila. Jaime de Paula explorava novas regi\u00f5es, onde nem tudo eram mar manso e c\u00e9u de brigadeiro. Havia tormentas, ventanias, ondas gigantescas e outros perigos.<br \/>\nUm dos maiores era o recrutamento. Afinal, como costuma acontecer nessas jornadas rumo ao desconhecido, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil encontrar quem esteja \u00e0 altura da tarefa. Principalmente em meados de 2009, quando novos clientes passaram a bater na porta da Neoway em busca de solu\u00e7\u00f5es para melhorar a gest\u00e3o de suas informa\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cSe n\u00f3s precis\u00e1ssemos de um profissional s\u00eanior, n\u00e3o adiantava\u201d, revela Jaime, n\u00e3o sem alguma afli\u00e7\u00e3o, \u201cN\u00e3o encontr\u00e1vamos. A sa\u00edda era contratar um trainee e form\u00e1-lo\u201d. O empreendedor se lembra de como, na \u00e9poca, suava sangue para montar uma equipe de meia d\u00fazia de pessoas \u2013 n\u00e3o haveria a menor possibilidade de encontrar um s\u00e9timo componente, caso necess\u00e1rio.<br \/>\nOutro desafio era o pr\u00f3prio perfil do capit\u00e3o da Neoway. Engenheiro nato, Jaime sempre dedicou aten\u00e7\u00e3o total ao desenvolvimento das solu\u00e7\u00f5es da empresa, e nem tanto \u00e0 forma como seriam vendidas.<br \/>\nA PLATAFORMA FUNCIONAVA MARAVILHOSAMENTE, MAS\u2026 NINGU\u00c9M, OU QUASE NINGU\u00c9M SABIA DISSO.<br \/>\nOu seja, em dado momento, o empreendedor percebeu que precisava urgentemente de uma \u00e1rea comercial. E mais uma vez esbarrou na quest\u00e3o de gente. Era muito dif\u00edcil encontrar n\u00e3o apenas profissionais preparados para vender as solu\u00e7\u00f5es da Neoway, mas dispostos a \u201centrar na esteira j\u00e1 a 15 quil\u00f4metros por hora\u201d, como Jaime define o ritmo da empresa. \u201cTem que pular e correr, se n\u00e3o vai cair\u201d.<br \/>\n<strong>O desafio qualificado como motiva\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA sa\u00edda para compor o time passou por uma estrat\u00e9gia central: investir na forma\u00e7\u00e3o de jovens talentos. Com um modelo de gest\u00e3o inovador, baseado em meritocracia e remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, Jaime conseguiu formar uma tripula\u00e7\u00e3o com as qualidades que queria a bordo. Algu\u00e9m a\u00ed pensou em disposi\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o? Pois \u00e9, tudo isso, combinado com obsess\u00e3o por novidades e desafios.<br \/>\nO desafio qualificado, ali\u00e1s, \u00e9 o que mant\u00e9m a mo\u00e7ada na pilha \u2013 e o barco a todo vapor. \u201cAqui, ningu\u00e9m pode reclamar de monotonia\u201d, diz, satisfeito. A psicologia reversa faz maravilhas na Neoway. \u201c\u00c9 s\u00f3 dizer: \u2018isso aqui ningu\u00e9m vai conseguir fazer\u2019, que aparece sempre algu\u00e9m para resolver. Pode ser que fique tr\u00eas finais de semana trancado numa sala, mas entrega pronto, todo feliz\u201d.<br \/>\n<strong>Na companhia de quem conhece o mar<\/strong><br \/>\nSuperados os gargalos iniciais, a Neoway passou a crescer exponencialmente. Em 2012, Jaime se tornou Empreendedor Endeavor \u2013 acontecimento que ele considera como outro importante passo em sua trajet\u00f3ria. At\u00e9 pela forma como aconteceu: na hora de apresentar o projeto no processo de sele\u00e7\u00e3o, o empreendedor quebrou o protocolo \u2013 em vez de um arquivo em Powerpoint, apresentou o pr\u00f3prio software da empresa.<br \/>\nOs conselheiros presentes, ent\u00e3o, encheram-no de perguntas sobre o funcionamento da solu\u00e7\u00e3o. Logo ficou claro que eles queriam us\u00e1-la em suas pr\u00f3prias empresas e se tornarem clientes da Neoway. At\u00e9 que La\u00e9rcio Cosentino, da Totvs, parou, pensou e concluiu:<br \/>\n\u201cBOM, PARECE QUE VOC\u00ca EST\u00c1 APROVADO, N\u00c3O?\u201d<br \/>\nO pr\u00f3prio La\u00e9rcio foi o escolhido por Jaime como mentor, ao lado de Martin Escobari, executivo da Gerenal Atlantic LLC. Os dois se sentaram com o empreendedor durante longas reuni\u00f5es \u2013 nove horas no total, ele calcula \u2013 para ajud\u00e1-lo a contornar outro obst\u00e1culo: o plano comercial. \u201cIsso n\u00e3o tem pre\u00e7o. Como \u00e9 que voc\u00ea vai contratar um mentor chamado La\u00e9rcio Cosentino ou Martin Escobari?\u201d.<br \/>\nHoje, a \u00e1rea comercial deixou de ser um problema para se transformar em propulsora do crescimento da empresa, com canais de venda pela internet, estrat\u00e9gias de upselling, e outras iniciativas.<br \/>\n<strong>A frota viking rumo a novos continentes<\/strong><br \/>\nPor falar em crescimento, o mundo (n\u00e3o) \u00e9 o limite. No comando de cerca de 300 funcion\u00e1rios e mais de 150 engenheiros de software, Jaime estruturou uma din\u00e2mica interna baseada em sinergia e motiva\u00e7\u00e3o. Com isso, pode sonhar, e sonhar grande. \u201cHoje, temos nove barcos vikings navegando em conjunto. Cada um com suas pr\u00f3prias miss\u00f5es, mas todos conectados, rumo aos mesmos objetivos\u201d.<br \/>\nQuais objetivos? \u201cA Am\u00e9rica Latina. Temos cinco clientes, em cinco pa\u00edses, que viabilizaram esses planos. E abriu tamb\u00e9m uma janela nos Estados Unidos. Vamos desembarcar l\u00e1 para ver o que acontece\u201d, diz, com o mesmo olhar que ia longe e atravessava as belezas de Floripa.<br \/>\nMas isso \u00e9 para agora. Porque, para o m\u00e9dio prazo, o sonho grande \u00e9 um IPO \u2013 a abertura de capital da empresa por meio de a\u00e7\u00f5es negociadas na bolsa.<br \/>\n<strong>Aposentadoria rel\u00e2mpago<\/strong><br \/>\nQuando perguntado sobre eventuais planos para se aposentar, Jaime \u00e9 categ\u00f3rico:<br \/>\n\u201cISSO N\u00c3O \u00c9 PARA MIM. N\u00c3O TENHO CABE\u00c7A DE APOSENTADO\u201d.<br \/>\nE ele afirma com propriedade, j\u00e1 que, n\u00e3o faz muito tempo, constatou que a Neoway estava bem encaminhada e resolveu se retirar da cabine de comando: \u201cVou para Miami jogar golfe\u201d. Deixou um Chief Operating Officer no tim\u00e3o, e partiu.<br \/>\nVoltou duas semanas depois, cansado da aposentadoria.<br \/>\nPudera. Porque, embora respons\u00e1vel por um not\u00e1vel case de sucesso \u2013 ou talvez por isso mesmo \u2013, Jaime continua exatamente o mesmo. A disposi\u00e7\u00e3o, a inquieta\u00e7\u00e3o e a supera\u00e7\u00e3o de anos atr\u00e1s n\u00e3o retrocederam um mil\u00edmetro sequer. Pelo contr\u00e1rio: cercado por uma tripula\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel e estimulada (a m\u00e9dia de idade na Neoway \u00e9 de 26 anos), e sempre atento \u00e0s oportunidades no horizonte, o empreendedor conduz a frota em um ritmo de crescimento m\u00e9dio de 50% ao ano \u2013 em 2016, mesmo com ventos desfavor\u00e1veis, a taxa prevista \u00e9 de 70%.<br \/>\nOu seja, segue firme na cabine de comando, rumo ao seu pr\u00f3prio destino. E n\u00e3o d\u00e1 sinal algum de que v\u00e1 baixar a \u00e2ncora.<br \/>\n<small><em>Fonte: Endeavor<\/em><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empreender tem muito de navegar. Arrumar o pr\u00f3prio barco, recrutar a tripula\u00e7\u00e3o mais preparada, saborear o vento, ajustar as velas e deixar o porto seguro rumo ao desconhecido; s\u00e3o in\u00fameras as analogias que podem ser feitas entre as duas atividades. 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