Como as crises afetam as pessoas

Por Aguilar Pinheiro*
Muitas vezes a crise funciona como um caldeirão, no qual o sofrimento é depurado para depois se tirarem dele as verdadeiras riquezas da vida.
crise
O mercado de trabalho é um dos pontos críticos da crise econômica que assola o mundo, teve efeitos de ciclone nos EUA e balança a Europa. No Brasil o fenômeno está aparecendo, mas, felizmente, não de modo tão arrebatador. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que há um pânico geral nos mercados e que isso pode se transformar num efeito de manada. Todos os brasileiros, com mais de 35 anos, devem sentir arrepios quando ouvem a palavra crise e sua tataravó, a “Inflação”. Mas, afinal, o que isso tem a ver com você que está buscando colocação no mercado de trabalho?
Tudo. Em momento de crise os dados passam, na maioria das vezes, a ter menos importância do que o estado emocional de quem lida com eles. Daí o pânico geral dos investidores, do qual falou o Ministro. No que diz respeito ao mercado de trabalho isso também é verdadeiro. As empresas, quando contratam uma pessoa, estão, na verdade, fazendo uma aplicação de risco, quase tão incerta quanto uma aplicação na bolsa. A volatilidade dos candidatos a emprego é muito grande, pois, muitos deixam o caminho dos ganhos sustentáveis de uma qualificação realmente sólida e investem em preparação para “passar em processos seletivos”, simplificadamente: pagar consultores para ensinar a passar na entrevista. Ou seja, o candidato aprende como vender algo que de fato não é. O mercado não perdoa esse tipo de aposta e a bolsa cai, quer dizer, a máscara. Mas e quem não faz esse tipo de aposta, está imune à crise? Infelizmente não.
Governos, bancos, bolsas e empresas são organizações criadas e geridas por pessoas. Um banco, um governo, uma empresa ou uma bolsa não tem emoção, nem entra em pânico. Mas seus gestores sim. Os candidatos a emprego também. Nessa relação de mercado o candidato é “papel” no qual se vai ou não investir. Em momento de crises os comparadores, ficam muito mais seletivos e aumentam os critérios para investir em contratações, por diversos motivos óbvios em tempos de crise. A desconfiança é geral e o candidato deve apresentar as credenciais técnicas e, principalmente, comportamentais que indiquem seu nível de credibilidade. Se você der uma olhada nos classificados de emprego desse jornal saberá do que estou falando. Tudo aquilo que aparece no anúncio e que não é uma qualificação técnica entra no rol da confiabilidade e da competência comportamental do candidato, coisas como facilidade de relacionamento, empatia, comprometimento e vencer desafios…
Para você se tornar parte da excepcionalidade deve se avaliar e se preparar focando-se no elemento que separa uns dos outros, reprovados e aprovados nos processos seletivos: o ponto de equilíbrio ou, como diria Darwin, capacidade adaptativa. Esse ponto de equilíbrio nem sempre pertence àquele que detém o maior conhecimento acadêmico, a maior experiência e as melhores qualificações técnicas. Mas, sim, ao que possui o controle sobre suas próprias emoções. O conhecimento e a informação são subordinados às emoções e estas permitem que se aplique aqueles na construção de resultados. Perder é um resultado, tão quanto ganhar o é.
Além de estar tecnicamente preparado para o mercado de trabalho, você precisa estar também preparado emocional e comportamentalmente. Isso inclui a criação de princípios e valores fortes, como ética, responsabilidade, etc. Aquelas pessoas que usam de artifícios para “enganar” o entrevistador já perderam esses valores, juntamente com seus consultores. O que é uma pena.
A crise afeta as pessoas e essas afetam as organizações. O que significa que para se ter uma organização equilibrada faz-se necessário que se tenham pessoas equilibradas emocional e, claro, racional e eticamente. Uma boa forma de investimento é consolidar esforços que fortaleçam sua capacidade emocional e lhe permitam continuar firme, mesmo em ambientes nervosos, como um mercado a beira do pânico. A base disso pode ser construída sobre os pilares da Honestidade, da Justiça e do Respeito, valores essenciais para quem deseja a construção de uma carreira sólida, resistente às crises.
aguilar-pinheiro
 * Consultor de empresas e coach, especialista em mudanças comportamentais, trainer em Programação Neurolinguística – PNL, certificado pelo IANLP (EUA), é Diretor de Aprendizagem da Asbrapa. Contato: http://www.linkedin.com/profile/view?id=101636632
 

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